ECONOMIA


Caixa classifica teto de 12% no crédito imobiliário como desafio diante da Selic em 14%

Descasamento entre custo de captação e taxa do SFH atinge banco público, que registra alta na inadimplência do agronegócio

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Caixa Econômica Federal declarou nesta quinta-feira (27) que o teto de 12% ao ano juro habitacional do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) impõe desafios à operação com a Selic em 14%. O descasamento ocorre porque o custo de captação de recursos no mercado supera o limite cobrado no financiamento imobiliário.

Ao comentar os resultados do 2º trimestre, a vice-presidente da Habitação da instituição, Inês Magalhães, contextualizou o papel social da linha. “Nós estamos num momento muito difícil, o teto de 12% é desafiador. Agora, temos que lembrar que o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) tem origem na poupança, e ele é um subsídio. Num país com uma pirâmide de renda como o Brasil tem, é muito razoável que nós tenhamos uma diretriz para que esse recurso atenda um certo perfil de imóvel e de população”, declarou a executiva.

A alta da taxa básica de juros motivou a migração de investimentos da caderneta de poupança para aplicações como CDBs e Tesouro Direto. Para reduzir a dependência da poupança, o modelo aprovado no final de 2025 prevê a transição gradual até 2027 para captação via Letras de Crédito Imobiliário (LCIs).

No segmento corporativo, a estatal informou que não sofreu impactos com as recentes recuperações judiciais de empresas como Casas Bahia, Braskem e Habib’s. “Por talvez conservadorismo ou por sorte, não tivemos impactos nesses últimos processos de recuperação”, disse Suely Patrão, diretora de Atacado do banco.

Em contrapartida, a carteira do agronegócio registrou índice de atrasos de 20,74% no 2° trimestre, com alta anual de 13,72 pontos percentuais. O banco atribui a estabilização desse indicador a partir de maio aos efeitos da Medida provisória n° 1.376, voltada à renegociação de dívidas rurais.

A taxa de inadimplência da Caixa encerrou o período em 3,64%, o que representa avanço de 0,98 ponto percentual em 12 meses. Nos empréstimos para pessoas físicas, os atrasos atingiram 6,29%, enquanto a carteira de pessoas jurídicas alcançou 14,05% e o crédito comercial fechou em 9,32%.