ECONOMIA


Bolsa bate recorde e fecha acima dos 166 mil pontos pela primeira vez

Dólar sobe para R$ 5,38 em meio a tensões entre EUA e Europa

Foto: Reprodução/Freepik

 

As incertezas no cenário internacional não impediram a bolsa brasileira de alcançar um marco inédito nesta terça-feira (20). O Ibovespa, principal índice da B3, fechou o dia aos 166.277 pontos, com alta de 0,87%, superando pela primeira vez a barreira dos 166 mil pontos, mesmo em meio às tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Europa.

O índice chegou a operar em queda durante a manhã, mas ganhou força após a abertura das bolsas norte-americanas, com a migração de capitais estrangeiros para mercados emergentes. No fim da tarde, houve desaceleração após o discurso que marcou um ano do governo do presidente Donald Trump, quando o indicador chegou a perder os 166 mil pontos, mas reagiu nos minutos finais, puxado principalmente por ações de mineradoras, bancos e petroleiras, setores com maior peso na composição do índice.

No mercado de câmbio, o desempenho foi diferente. O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,375, com alta de R$ 0,016, o equivalente a 0,3%. A moeda norte-americana iniciou o pregão em forte valorização e chegou a ser cotada a R$ 5,40 pouco antes das 11h, mas perdeu força ao longo da tarde.

A escalada das tensões entre Estados Unidos e Europa seguiu influenciando os mercados. Nesta terça, o presidente da França, Emmanuel Macron, ameaçou acionar um mecanismo de defesa comercial que permitiria à União Europeia aplicar tarifas de até 93 bilhões de euros sobre produtos estadunidenses. A medida seria uma resposta às declarações de Trump, que voltou a ameaçar elevar tarifas sobre produtos europeus e reiterou comentários sobre a anexação da Groenlândia.

O ambiente de instabilidade foi reforçado pela decisão do Parlamento Europeu de suspender a tramitação do acordo comercial entre União Europeia e Estados Unidos. Firmado em julho do ano passado, o acordo previa a aplicação de uma tarifa de 15% pelos EUA sobre produtos europeus.

Apesar do cenário externo, a diferença entre os juros brasileiros e os estadunidenses ajudou a conter impactos mais fortes no mercado financeiro nacional. Investidores que deixaram as bolsas norte-americanas, que fecharam o dia em forte queda, foram atraídos pelas taxas elevadas no Brasil, o que reduziu a pressão sobre o dólar e sustentou o desempenho da bolsa.

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne para definir os rumos da Taxa Selic. Atualmente, os juros básicos da economia estão em 15% ao ano, no maior patamar registrado em quase duas décadas.

Com informações da Agência Brasil