ECONOMIA


Banco Master: rombo pode chegar a R$ 30 bilhões e acende alerta sobre depósitos judiciais

Fraudes em operação com o BRB colocam em risco recursos administrados em cinco estados e levantam discussão sobre socorro federal

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

A crise envolvendo o Banco Master pode provocar um rombo estimado em até R$ 30 bilhões e gerar impactos diretos nos cofres públicos de pelo menos cinco estados brasileiros. O problema teve origem em irregularidades na tentativa de venda da instituição para o Banco de Brasília (BRB), que administra depósitos judiciais do Distrito Federal, Bahia, Maranhão, Alagoas e Paraíba, valores que funcionam como garantias em processos judiciais.

Esses recursos passaram a ser operados, nos últimos anos, por meio do chamado “pix judicial”, sistema criado pelo BRB para agilizar pagamentos e integrar o Judiciário ao Sistema de Pagamentos do Banco Central. A ferramenta foi inicialmente adotada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e, posteriormente, levou o banco a vencer licitações em estados do Nordeste. O cenário mudou após a descoberta de que o BRB adquiriu carteiras de crédito consideradas fraudulentas do Banco Master, com prejuízos estimados em mais de R$ 16 bilhões.

Caso o BRB não consiga absorver as perdas, especialistas apontam risco de efeito dominó sobre os estados que dependem do banco para a gestão dos depósitos judiciais. Governos estaduais poderiam ser obrigados a assumir prejuízos para garantir o funcionamento da Justiça, em um contexto de fragilidade fiscal. Nos bastidores, já se discute a possibilidade de um pedido de socorro à União, sobretudo porque o Distrito Federal não teria capacidade de capitalizar sozinho a instituição.

Enquanto a Polícia Federal investiga as operações suspeitas, auditorias independentes estão em andamento. Tribunais estaduais, como os da Paraíba e do Maranhão, informaram que acompanham a situação e preveem mecanismos de migração dos depósitos para outras instituições, caso necessário. Em nota, o BRB afirmou que segue operando normalmente e garantiu cumprir todas as obrigações contratuais, reforçando o compromisso com a transparência e a estabilidade institucional.