ECONOMIA


B3 deve registrar melhor primeiro trimestre em capital externo desde 2022, apesar de tensões globais

Entrada de recursos estrangeiros segue firme mesmo com guerra no Oriente Médio e pode continuar com cenário favorável de juros e valuation atrativo

Foto: Reprodução/Freepik

 

A B3 deve encerrar o primeiro trimestre de 2026 com o melhor desempenho em entrada de capital estrangeiro desde 2022, mesmo diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio. Até o fim de março, o fluxo internacional acumulava cerca de R$ 48,7 bilhões, com expectativa de saldo positivo no mês.

Apesar de oscilações ao longo do período, investidores estrangeiros mantiveram o interesse pelo mercado brasileiro, impulsionados principalmente pelo preço considerado atrativo das ações e pelo diferencial de juros em relação a países desenvolvidos. A bolsa brasileira segue sendo vista como descontada frente a mercados como os Estados Unidos.

Especialistas apontam que parte desse movimento está ligada à migração de recursos do mercado norte-americano, em meio ao encarecimento de ativos e incertezas políticas envolvendo o ex-presidente Donald Trump. No Brasil, a combinação de juros ainda elevados, início de afrouxamento monetário e expectativa em torno das eleições contribui para manter o fluxo positivo.

A tendência, segundo analistas, é de continuidade da entrada de capital estrangeiro, a menos que o Federal Reserve retome a alta de juros em resposta a pressões inflacionárias. Um eventual agravamento do cenário global também pode afetar esse movimento.

Por outro lado, a possibilidade de redução das tensões internacionais pode favorecer ainda mais mercados emergentes como o Brasil, ao diminuir a busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro americano.