CARNAVAL


Justiça derruba liminar de Daniela Mercury e mantém Olodum na abertura do circuito Dodô neste domingo (15)

De acordo com a decisão, alterações às vésperas da festa poderiam comprometer a logística, os contratos já firmados e a segurança do evento

Foto: Assessoria/Olodum

 

O Olodum será o primeiro bloco a sair no circuito Dodô (Barra-Ondina) neste domingo (15), em Salvador. A decisão foi determinada após a Justiça derrubar a liminar que garantia a cantora Daniela Mercury a retomada da abertura dos desfiles neste domingo (15) e segunda-feira (16). A mudança na ordem garantiu a posição do bloco afro que desde 1988 está presente no circuito.

A disputa em torno da ordem dos desfiles começou depois que a Justiça da Bahia concedeu liminar favorável ao bloco Crocodilo, comandado pela Rainha do Axé. A decisão atendia a um mandado de segurança apresentado pela empresa responsável pelo bloco e determinava que ele retomasse a abertura do circuito.

O entendimento judicial levou em conta o critério de antiguidade previsto no regulamento do Carnaval, destacando que o Crocodilo foi o primeiro a desfilar no Circuito Barra-Ondina, em 1996, e mantém participação contínua desde então. A liminar previa multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento por parte do Conselho Municipal do Carnaval e da Empresa Salvador Turismo.

Neste sábado (14), porém, o Tribunal acolheu recurso apresentado por blocos tradicionais da capital e suspendeu os efeitos da decisão anterior. Com isso, foi mantida a programação estabelecida pelo Decreto Municipal nº 41.415/2026 e pela Resolução nº 01/2026 do Comcar. A decisão também considerou que alterações às vésperas da festa poderiam comprometer a logística, os contratos já firmados e a segurança do evento.

Apresentação do Olodum

Com o tema “Máscaras Africanas: Magia e Beleza”, o Olodum apresenta na avenida um desfile que destaca referências estéticas e simbólicas do continente africano. O projeto norteia figurinos, repertório e elementos visuais, além de reforçar a mensagem histórica do bloco em defesa da cultura negra e da valorização da diáspora africana.

A decisão judicial foi recebida como uma vitória institucional. Para o presidente do Olodum, Jorginho Rodrigues, a mudança representa o reconhecimento da importância do bloco para o Carnaval de Salvador. “Abrir a avenida é uma responsabilidade grande. O Olodum construiu uma trajetória que dialoga com a história do Carnaval e com a luta do povo negro. Recebemos essa decisão com respeito e com o compromisso de fazer um desfile à altura do que o público espera”, afirmou.

Já o presidente, Marcelo Gentil, destacou o significado simbólico da conquista. “Essa posição reforça o papel do Olodum na cultura brasileira. Vamos celebrar com organização, com música e com a força da nossa percussão. É um momento de comemoração para a nossa comunidade e para quem acompanha o bloco há décadas”, declarou.

Fundado em 1979, no Pelourinho, o Olodum consolidou-se como um dos principais blocos afro do país. A sua batida marcou gerações e projetou o nome de Salvador para o mundo, com parcerias internacionais e presença constante nos grandes eventos do calendário cultural da cidade.

Ao assumir a primeira posição na saída do Circuito Osmar, o bloco reafirma a sua relevância histórica e artística no Carnaval. A expectativa é de que milhares de foliões acompanhem o desfile logo nas primeiras horas da festa na Barra, em um percurso marcado por repertório autoral, clássicos da banda e a potência da sua percussão.