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Nenhuma unidade dos Correios atingiu meta de entregas no prazo até setembro de 2025

Levantamento interno mostra desempenho abaixo do índice e expõe impacto da crise financeira na operação

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 

Em meio à crise econômico-financeira enfrentada nos últimos anos, os Correios não conseguiram cumprir a meta de entregas dentro do prazo em nenhuma unidade estadual até setembro de 2025. O índice nacional alcançado foi de 90,18%, abaixo da meta estipulada de 95,54% para o período. A informação é do g1.

Os dados constam em documentos obtidos pelo g1 e consideram o desempenho dos principais serviços postais, como Encomenda, Logística e Mensagens. O cálculo leva em conta a proporção de objetos entregues no prazo em relação ao total distribuído, incluindo entregas fora do prazo, extravios e roubos registrados nas superintendências estaduais.

Entre as unidades, Roraima apresentou o pior resultado, com 64,84% de entregas dentro do prazo, cerca de 30 pontos percentuais abaixo da meta local, fixada em 94,84%. A Região Norte concentra seis dos sete piores desempenhos no ano. Apesar disso, a estatal afirma que o índice geral ficou 0,71 ponto percentual acima do verificado no mesmo intervalo de 2024.

Em nota, a empresa atribuiu os atrasos à carga acumulada nas unidades de origem e destino, à falta de mão de obra contratada por execução indireta de serviços e à necessidade de ajustes no processo produtivo. Para tentar reduzir o problema, informou ter adotado medidas como reestruturação do fluxo de caixa, negociação com fornecedores, contratação emergencial de operadores logísticos, priorização de encomendas urgentes e ampliação de viagens nas rotas nacionais e na rede postal noturna.

A situação financeira também impactou o pagamento de fornecedores. Até julho, transportadoras cobravam na Justiça cerca de R$ 104 milhões em faturas atrasadas, distribuídas em 58 processos envolvendo 41 empresas. Ao longo de 2025, a estatal ainda adiou aproximadamente R$ 3,7 bilhões em obrigações, incluindo valores devidos a fornecedores, ao fundo de pensão Postalis, ao plano de saúde Postal Saúde e a tributos federais.