BRASIL


Mulher é resgatada de casa de cônsul honorária por suspeita de trabalho análogo à escravidão

A funcionária contou à Polícia Federal que recebia ameaças de morte para não denunciar o caso

Foto: Reprodução/Redes sociais

Uma mulher de origem filipina foi resgatada em São Paulo suspeita de trabalhar em condições análogas à escravidão para Siham Harati, cônsul honorária do Brasil no Líbano. O Ministério Público do Trabalho abriu uma investigação para apurar o caso.

A vítima foi retirada da casa de Harati, em um bairro de alto padrão na zona sul da capital paulista, no dia 6 de março. Na ocasião, ela foi resgatada por equipes da Polícia Militar com ajuda do assistente consular Luiz Philipe de Oliveira.

A funcionária contou à Polícia Federal que não vê a família desde que passou a trabalhar para a cônsul, em 2014, no Líbano. Segundo ela, seus documentos estão retidos com Harati, e ela não possui conta bancária.

O caso foi descoberto após a trabalhadora pedir ajuda à Associação da Comunidade Filipina. A vítima disse, ainda, que trabalha em quatro casas diferentes, duas delas no Líbano e duas no Brasil. Ela declarou que passa metade do ano em cada país. Segundo ela, a jornada é diária, com cerca de 13 horas de trabalho por dia, sem direito a férias, feriados ou descanso aos fins de semana.

Além de permanecer trancada em casa, a mulher mencionou ser constantemente vigiada por um motorista. A funcionária relatou que recebia ameaças de morte para não denunciar a situação.

Ao ser questionada pela polícia, a cônsul apresentou um passaporte diplomático e afirmou que a funcionária a acompanhava em visitas à filha no Brasil. Ela afirmou ainda estar no país desde novembro de 2025, quando veio para uma cirurgia.

Em nota enviada ao UOL, a defesa de Harati afirmou que as acusações são “injustas e não refletem a realidade”. Segundo ela, nenhuma reclamação formal ou apontamento de irregularidade foram feitas nos 12 anos de contrato.