BRASIL


Montadoras pressionam governo brasileiro para não renovar isenção da BYD

Prazo sem cobrança de imposto de importação está próximo de vencer e preocupa o futuro da fábrica chinesa em Camaçari

Foto: Divulgação/BYD

 

O prazo de isenção no imposto de importação concedido à montadora de carros BYD, pelo governo federal, vence no dia 31 de janeiro e deve ter mudanças na fabricação de veículos. A cobrança das taxas passará a valer para a confecção de automóveis nos modelos CKD e SKD, molde atualmente utilizado pela empresa na fábrica de Camaçari, na Bahia. A partir da mudança, a companhia chinesa terá que se adequar aos novos modelos de cobrança, após pressão das montadoras que se posicionam contra a renovação do acordo.

Com o fim do período de isenção se aproximando, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) pressiona o governo federal para que a cota de aproximadamente R$ 2,6 bilhões não seja renovada. Segundo a entidade, caso a cobrança de imposto entre em vigor, até 69 mil empregos do setor automotivo podem ser desligados das suas funções. As informações foram veiculadas ao portal UOL.

Os modelos de fabricação utilizados pela empresa funcionam de duas formas, a primeira é CKD que atende aos veículos totalmente desmontados, já a segunda é o SKD e opera com automóveis parcialmente montados. O uso das peças nessas configurações tem o objetivo de reduzir os custos operacionais da companhia para a confecção de carros no Brasil e em países como Estados Unidos e Japão.

As tensões entre a BYD e Anfavea tiveram início em 2025, quando a companhia chinesa pediu ao governo a prorrogação da isenção até junho de 2028, com o objetivo de estimular o crescimento das operações no Brasil. Após o pedido se tornar público, quatro montadoras, entre elas a Volkswagen, enviaram uma carta ao presidente Lula solicitando o fim da isenção das taxas.

O governo atendeu parcialmente a pressão das montadoras para limitar a isenção, e passou a antecipar a aplicação da alíquota total de 35% de imposto de importação para kits de montagem de julho de 2028 para janeiro de 2027. Na época, a cota correspondente ao valor de aproximadamente R$ 2,6 bilhões foi estabelecida pela gestão para o crescimento da fábrica na Bahia, que agora deve passar por mudanças, caso a isenção não seja renovada.