BRASIL


Ministério da Educação aponta queda recorde de matrículas na educação básica

Censo Escolar 2025 mostra redução de 1 milhão, com maior impacto no ensino médio

Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

O Brasil registrou a maior retração no número de matrículas da educação básica em quase duas décadas. De acordo com o Censo Escolar 2025, divulgado pelo Ministério da Educação e elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, o país perdeu 1 milhão de alunos entre 2024 e 2025. O total caiu de 47,1 milhões para 46 milhões de matrículas, uma redução de 2,3%.

A queda mais intensa ocorreu no ensino médio, que encolheu 5,4% no período. As redes estaduais, responsáveis por cerca de 80% das matrículas dessa etapa, perderam 428 mil estudantes. No ensino fundamental, a redução foi mais moderada, de 0,75%. Já a educação infantil também apresentou retração, a primeira desde o período da pandemia, com destaque para a diminuição nas matrículas da pré-escola.

O MEC atribui o recuo à transição demográfica, com menos crianças e jovens em idade escolar, além da redução da repetência, que diminui o “inchaço” nas séries. Dados apresentados pela pasta indicam queda na distorção idade-série no ensino médio, de 17,8% para 16%. Especialistas, no entanto, questionam se esses fatores explicam integralmente o movimento, apontando indícios de evasão, sobretudo na passagem do 2º para o 3º ano do ensino médio.

Em contrapartida, houve crescimento na educação profissional integrada ao ensino médio, que avançou 24%, e aumento expressivo nas matrículas da educação especial, que saltaram 18,4%. O número de docentes também cresceu, chegando a 2,4 milhões em 2025. O cenário reforça o debate sobre os impactos da reforma do ensino médio e os desafios para garantir permanência e conclusão escolar em meio às mudanças demográficas e econômicas.