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Esconderijo de Dada no RJ tinha suíte presidencial, 8 quartos, piscina e passagem secreta

Traficante baiano era um dos principais alvos de uma operação no último dia 20, no Morro do Vidigal, mas conseguiu escapar com outros comparsas

Imagem: Reprodução/SSP-BA e TV Globo

 

O traficante baiano Ednaldo Pereira Souza, o Dada, usou uma casa no alto do Vidigal como esconderijo e local de festa, segundo imagens exibidas pelo Fantástico, da TV Globo. O imóvel, com piscina, churrasqueira e oito quartos, ficava em área de difícil acesso e aparece nas gravações com circulação de ao menos 20 fuzis.

Alvo de operação conjunta das polícias da Bahia e do Rio de Janeiro no último dia 20, Dada conseguiu fugir. A ação teve tiroteio e deixou turistas encurralados no Morro Dois Irmãos.

Condenado por tráfico e homicídio a penas que somam 68 anos, ele lidera o PCE (Primeiro Comando de Eunápolis), facção com atuação em Eunápolis e vinculada ao Comando Vermelho. Dada é um dos 16 fugitivos do conjunto penal da cidade, em dezembro de 2024. A fuga, segundo investigações, teria sido facilitada pela então diretora da unidade, Joneuma Silva Neres.

Responsável por indicar Joneuma para o cargo, o ex-deputado federal Uldurico Jr. teria negociado com Dada o recebimento de R$ 2 milhões em propina. Ele está preso desde o dia 16 deste mês no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador. A defesa de Uldurico nega sua participação no crime.

De acordo com o Ministério Público, Dada se escondia no Complexo da Rocinha e seguiu para o Vidigal para a festa de aniversário da filha. O imóvel serviu como ponto de encontro de criminosos, incluindo outros foragidos. Investigadores apontam que, além da confraternização, o grupo também tratou de atividades ilícitas no local.

As gravações obtidas pelo Fantástico mostram detalhes da movimentação do grupo dentro do espaço. Em uma das imagens, um homem apresentam a suíte reservada ao líder, chamada por eles de “presidencial”.

A preparação para a festa incluiu limpeza do imóvel, tratamento da piscina e montagem de mesas para churrasco. Dada chegou escoltado por homens armados. Promotores afirmam que ao menos 20 fuzis aparecem nas imagens feitas no local.

Durante o evento, também estavam presentes outros foragidos apontados como perigosos. Entre eles, Édson Santos Cruz, conhecido como Gana ou Bomba, e Sirlon Rosário Dias Silva, que fugiu do presídio ao lado de Dada. Para investigadores, além da confraternização, o encontro também serviu para tratar de negócios criminosos.