BRASIL


Justiça volta atrás e restabelece classificação livre para programas bíblicos da Record

Ministério reconheceu que análise deixou de considerar contexto cultural e religioso e fatores que permitem atenuar classificação

Foto: Reprodução/Record

 

O Ministério da Justiça voltou atrás e restabeleceu, nesta terça-feira (3), a classificação livre do programa Record Kids – Desenhos Bíblicos, que reúne 36 episódios com histórias do Antigo e do Novo Testamento. A pasta reavaliou a decisão que havia considerado a atração não recomendada para menores de 12 anos.

Para justificar o recuo, o ministério reconheceu que a análise anterior não aplicou integralmente sua própria metodologia. Segundo a pasta, a avaliação deixou de considerar, na extensão prevista pelo guia técnico, o contexto cultural e religioso e os fatores que permitem atenuar a classificação. Entre esses fatores estão a associação das cenas a tradições religiosas, a estética infantil da animação e o caráter fantasioso da violência.

A nova decisão foi tomada pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais, que reviu a classificação atribuída em 28 de outubro pela área técnica. O despacho sustenta que a transmissão de narrativas bíblicas em desenhos infantis é uma expressão cultural protegida pela Constituição e deve receber o mesmo tratamento dado às demais tradições culturais e religiosas.

A controvérsia já havia chegado à Justiça. O advogado Wilian Frata apresentou uma ação popular para suspender a medida, sob a acusação de censura e perseguição religiosa.

Na nota oficial, o ministério afirma que a revisão ocorreu por iniciativa própria e reforça que a classificação indicativa serve para informar às famílias o conteúdo das obras. A recomendação anterior de exibição a partir das 20h não impedia a Record de transmitir a atração antes desse horário. A decisão será publicada no Diário Oficial da União, e a emissora será formalmente comunicada.