BRASIL


Governo atualiza ‘lista suja’ do trabalho escravo e inclui BYD e Amado Batista

Cadastro chega a 613 empregadores após novos casos; montadora cita terceirizada e cantor nega irregularidades apontadas em fiscalizações

Fotos: Reprodução/Instagram/@amadobatistaoficial e Assessoria/BYD

 

O governo federal atualizou na última segunda-feira (6) a chamada “lista suja”, onde reúne os nomes de empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão.

Na nova atualização, foram adicionados nomes como o do cantor Amado Batista e a montadora chinesa de carros elétricos BYD. Outros 169 empregadores foram incluídos, somando 613 listados.

BYD

A BYD foi adicionada após um caso de resgate de 220 trabalhadores chineses contratados para atuar na construção da fábrica da empresa em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Eles foram encontrados amontoados em alojamentos sem condições adequadas de conforto e higiene e eram vigiados por seguranças armados, que impediam a saída do local.

De acordo com o Ministério Público do Trabalho da Bahia (MPT-BA), os passaportes eram retidos e os contratos incluíam cláusulas ilegais, como jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal.

O órgão também identificou que todos os trabalhadores entraram no Brasil e forma irregular, com vistos para serviços especializados que não correspondiam às atividades desempenhadas na obra.

A BYD argumentou que a construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda cometeu irregularidades e que, por isso, decidiu encerrar o contrato com a empresa.

Amado Batista

Já Amado Batista aparece em duas autuações registradas em Goianápolis, em Goiás. Uma delas envolve 10 trabalhadores do Sítio Esperança, enquanto a outra menciona o Sítio Recanto da Mata, com quatro trabalhadores. Ambos os casos ocorreram em 2024.

Por meio de uma nota enviada ao portal G1, a assessoria do cantor afirmou que as acusações são “completamente falsas e inverídicas”.

Ainda segundo o comunicado, não houve resgate de trabalhadores, e todos os funcionários seguem exercendo suas atividades normalmente.

A assessoria também informou que, em 2024, a fiscalização na fazenda foi para o plantio de milho e que, na ocasião, foram identificadas irregularidades na contratação de quatro trabalhadores vinculados a uma empresa terceirizada responsável pela abertura da área de plantio.

Lista Suja

A nova lista exclui 225 empregadores que completaram os dois anos de permanência no cadastro. Os casos incluídos ocorreram entre 2020 e 2025, em 22 estados.

Confira os estados com o maior número de empregadores na lista:

  • Minas Gerais (35);
  • São Paulo (20);
  • Bahia (17);
  • Paraíba (17);
  • Pernambuco (13);
  • Goiás (10);
  • Mato Grosso do Sul (10);
  • Rio Grande do Sul (9);
  • Mato Grosso (7);
  • Paraná (6);
  • Pará (5);
  • Santa Catarina (4);
  • Maranhão (4);
  • Acre (2);
  • Distrito Federal (2);
  • Espírito Santo (2);
  • Rio de Janeiro (2);
  • Amazonas (1);
  • Ceará (1);
  • Rondônia (1);
  • Sergipe (1).