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Denúncia aponta que narcotraficante espanhol teria financiado aquisição do Banco Master

Documentos citados por fonte do mercado indicam ligação entre traficante, operadores financeiros e compra do antigo Banco Máxima

Foto: Esfera Brasil/Reprodução

 

Uma denúncia feita por uma fonte do mercado financeiro aponta que a aquisição do Banco Master teria contado com recursos de um narcotraficante espanhol. Segundo a fonte, documentos disponíveis indicariam que o investidor participou da estrutura financeira que viabilizou a compra da instituição. A informação é do BPMoney.

O nome citado é o de Oliver Ortiz de Zarate Martin, preso em 2013 no Brasil. Na época, ele vivia em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e posteriormente foi condenado pela Justiça brasileira por lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas.

De acordo com a denúncia, a ligação entre o espanhol e o banqueiro Daniel Vorcaro passaria por Benjamim Botelho de Almeida, apontado como operador no mercado financeiro e citado pela Polícia Federal como peça relevante no suposto esquema.

Botelho já atuou no Banco Garantia, instituição que deu origem ao BTG Pactual. Com dupla nacionalidade portuguesa e brasileira, ele reside atualmente em Lisboa e mantém presença frequente no mercado financeiro da Faria Lima, em São Paulo.

Na época dos fatos, Botelho liderava o Grupo Aquilla. Segundo a fonte, foi por meio dessa estrutura que Oliver Ortiz teria investido na aquisição do Banco Máxima em 2017, instituição que posteriormente se tornaria o Banco Master. A denúncia afirma ainda que o narcotraficante mantinha centenas de milhões de reais aplicados em fundos ligados ao grupo.

Registros oficiais da Comissão de Valores Mobiliários, datados de outubro de 2015, também teriam sido apresentados pela fonte. Nos documentos, Oliver Ortiz aparece como cotista de fundos administrados pela antiga Foco DTVM, atualmente chamada de Sefer Investimentos.

O ponto chama atenção porque, àquela altura, Ortiz já havia sido condenado por tráfico de drogas dois anos antes, em 2013. Ainda assim, seu nome seguia listado como investidor em fundos financeiros no Brasil.

Os registros indicariam ainda que o espanhol aparecia como cotista tanto em nome próprio quanto por meio de empresas vinculadas ao Aquilla Fundo de Investimento Imobiliário. Esse fundo, por sua vez, investiu no fundo São Domingos, veículo que teria participado da estrutura usada para viabilizar a aquisição do Banco Máxima.

Outro elemento citado envolve a Sefer Investimentos, que mantém vínculos com Botelho e administrava fundos do Grupo Aquilla. Em janeiro de 2026, a corretora foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de repasse de recursos para negócios ligados à família Vorcaro.

Investigadores também identificaram a criação de uma offshore nas Bahamas associada à estrutura da corretora. A empresa teria sido aberta nove dias após o Banco Central do Brasil decretar a liquidação do Banco Master, circunstância considerada suspeita pelos responsáveis pela apuração.

Segundo a fonte, Oliver Ortiz também estaria ligado ao fundo Aquilla Veyron FIM e à empresa Brazilian Multimarketing Investments LLC, uma offshore registrada nas Bahamas, o que ampliaria o alcance internacional das movimentações financeiras investigadas.

Durante a Operação Compliance Zero, a Polícia Federal apreendeu o celular de Daniel Vorcaro. No aparelho, os investigadores encontraram trechos dos autos da Operação Fundo Fake, nos quais aparecem citados os nomes de Vorcaro, Botelho e Ortiz.

Além disso, o Ministério Público Federal denunciou Botelho por gestão fraudulenta do Banco Máxima entre 2014 e 2016. De acordo com a acusação, o banco teria utilizado o fundo Aquilla Veyron FIM para simular valorização de ativos, mecanismo que, segundo os investigadores, poderia ocultar a falta de capital da instituição.