BRASIL


Correios acumulam perdas bilionárias no segmento de encomendas internacionais

Estatal deixou de arrecadar R$ 2,2 bilhões e soma R$ 3,7 bilhões em obrigações não pagas

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos enfrenta sucessivos prejuízos após a implementação do programa Remessa Conforme, criado pelo Ministério da Fazenda em 2023. Segundo relatório da Diretoria Econômico-Financeira, divulgado pelo portal G1, a estatal acumulou perdas bilionárias e perdeu espaço no segmento de encomendas internacionais, que até agosto de 2024 funcionava como um “monopólio” da empresa.

Levantamento interno aponta que os Correios deixaram de arrecadar R$ 2,2 bilhões após o programa, que passou a cobrar 20% de imposto de importação sobre compras de até US$ 50 e permitiu a atuação de transportadoras privadas na entrega de mercadorias importadas. No terceiro trimestre de 2025, a receita total caiu para R$ 12,3 bilhões, recuo de 12,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Nas postagens internacionais, a queda foi ainda mais acentuada. A receita passou de R$ 3,2 bilhões nos nove primeiros meses de 2024 para R$ 1,1 bilhão no mesmo intervalo de 2025, redução de quase R$ 2 bilhões.

O volume de encomendas também despencou, de 149 milhões de objetos até setembro de 2024 para 41 milhões no mesmo período de 2025. Com a retração, as encomendas internacionais, que já representaram quase 25% do faturamento, hoje respondem por 8,8%. Até setembro, a empresa acumulava R$ 3,7 bilhões em obrigações não pagas, em meio ao que a direção classificou como um “ciclo vicioso de perda de clientes e receitas”.