BRASIL


Chanceler Mauro Vieira antecipa retorno a Brasília após ofensiva dos EUA na Venezuela 

Ministro interrompe férias para acompanhar crise regional; governo brasileiro convoca nova reunião de emergência 

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, decidiu interromper as férias e retornar a Brasília neste sábado (3) diante da reação do governo brasileiro ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela e à captura do presidente Nicolás Maduro. O chanceler estava afastado desde 21 de dezembro e tinha previsão de retomar as atividades apenas na próxima quarta-feira (7). 

De acordo com o Itamaraty, Vieira deve chegar à capital federal ainda na madrugada de domingo (4). Mesmo à distância, ele participou por videoconferência da reunião de emergência convocada pelo governo para avaliar o agravamento da crise regional. O encontro foi coordenado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também participou remotamente. 

Lula encontra-se de férias na Restinga de Marambaia, base da Marinha no Rio de Janeiro. A princípio, o presidente pretendia manter o recesso até segunda-feira (6), com retorno ao trabalho no dia seguinte, mas avalia antecipar a volta a Brasília conforme o avanço dos acontecimentos. 

A reunião ocorreu no Palácio Itamaraty e contou com a presença do ministro da Defesa, José Múcio; da secretária-geral das Relações Exteriores, embaixadora Maria Laura da Rocha; da ministra interina da Casa Civil, Miriam Belchior; além de diplomatas do Itamaraty e da Presidência da República. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, também está de férias. 

Situação na fronteira 

Após o encontro, o ministro da Defesa afirmou que a fronteira do Brasil com a Venezuela permanece aberta e sob controle. “A fronteira está absolutamente tranquila. Temos contingente suficiente de homens e equipamentos para garantir segurança e monitoramos a situação o tempo todo”, declarou Múcio. 

Segundo ele, não há, até o momento, registro de brasileiros entre as vítimas dos ataques. “A comunidade brasileira está tranquila. Não houve nenhuma ocorrência até agora, e os turistas conseguem deixar o país normalmente”, acrescentou. 

Escalada do conflito 

Neste sábado (3), os Estados Unidos realizaram ataques em diferentes regiões da Venezuela. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que Nicolás Maduro foi capturado durante a ofensiva. 

 A Embaixada dos EUA em Bogotá declarou estar ciente das explosões em Caracas e recomendou que cidadãos norte-americanos não viagem à Venezuela “por nenhum motivo”, além de evitar as fronteiras do país com Colômbia, Brasil e Guiana. 

Washington afirma que a ofensiva tem como objetivo o combate ao tráfico internacional de drogas. Maduro, por sua vez, é apontado pelo governo dos EUA como líder do Cartel de los Soles, organização recentemente classificada por Washington como terrorista internacional. 

Governo convoca nova reunião 

O governo federal marcou uma nova reunião para as 17h deste sábado, novamente sob coordenação do Itamaraty e por videoconferência, para atualizar informações e definir os próximos passos diante da crise. 

“Uma nova reunião está prevista para o fim da tarde para atualização da situação. Será realizada aqui no Itamaraty, por videoconferência, como a anterior”, informou a embaixadora Maria Laura da Rocha. 

Lula condena ataque 

Mais cedo, o presidente Lula classificou a ação dos Estados Unidos como “inaceitável” e afirmou que o ataque representa uma grave afronta à soberania venezuelana. 

“Esses atos ultrapassam uma linha inaceitável e criam um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, escreveu Lula em publicação na rede social X. Para o presidente, violações ao direito internacional “abrem caminho para um mundo de violência, caos e instabilidade, no qual a lei do mais forte se sobrepõe ao multilateralismo”. 

Lula também afirmou que a ofensiva remete “aos piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe” e pediu uma resposta firme da comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU).