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Banco Central abre investigação interna para apurar caso do Master

Segundo O Globo, sindicância busca identificar falhas na fiscalização da instituição

Fotos: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil e Rovena Rosa/Agência Brasil

 

O Banco Central decidiu abrir uma investigação interna para entender o que aconteceu no escândalo do Banco Master. A informação é do jornal O Globo.

De acordo com a matéria, o objetivo da instituição é apurar eventuais falhas ocorridas no processo de fiscalização e liquidação da instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.

Segundo integrantes do Banco Central, a proposta da investigação interna não é promover uma caça às bruxas, mas aprofundar a compreensão do escândalo envolvendo o Banco Master. A intenção é traçar um diagnóstico detalhado do caso para, a partir disso, aperfeiçoar normas e mecanismos de controle no futuro. Servidores da autoridade monetária comparam o processo a uma investigação de acidente aéreo, cujo foco é identificar as causas que levaram à tragédia.

As investigações estão sendo conduzidas sob sigilo pela corregedoria e foi iniciada a partir de uma decisão do presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, tomada no fim do ano passado.

Com o avanço da sindicância, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que comandavam o Departamento de Supervisão Bancária (Desup), entregaram seus cargos. Segundo o jornal, não existem, até o momento, acusações formais contra eles.

Procurado pelo O Globo, o BC afirma que “a alternância de nomes em cargos comissionados é uma prática normal no âmbito da administração pública”.

Souza, ex-diretor de fiscalização do Banco Central, foi o primeiro a deixar o cargo. Ele foi o responsável por autorizar a compra por Daniel Vorcaro do Banco Máxima, que passou a se chamar Master. Atualmente, atuava como chefe-adjunto do Desup e era responsável por acompanhar a solidez e a estabilidade do mercado financeiro.

Belline era chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC e foi o segundo a entregar o cargo. Ele chegou a ser cotado para substituir Neves na diretoria de Fiscalização, que hoje é ocupada por Aílton de Aquino Santos. O profissional assinou diversos ofícios e despachos do Banco Central enviados ao Ministério Público Federal relativos ao Master.

A defesa de Vorcaro chegou a citar um desses documentos diante da Justiça. Por meio de um ofício enviado ao Ministério Público Federal, Belline relata que uma operação de compra suspeita de carteiras fictícias de crédito pelo Master no fim de 2024 acabou sendo desfeita no início de 2025.