BRASIL


94 anos do voto feminino: Mulheres representam mais de 50% dos eleitores na Bahia e no Brasil

Dados foram coletados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA)

Ilustração: TRE-BA

 

Resultado de mais de 50 anos de mobilização de mulheres pelo direito à participação política, a conquista do voto feminino completou 94 anos em 2026.

Desde o momento em que as mulheres brasileiras passaram a ter o direito de votar e serem votadas, no dia 24 de fevereiro de 1932, a garantia para o livre exercício desse direito se configurou em notabilidade da participação feminina nas eleições, liderando os percentuais de eleitorado apto e de comparecimento aos pleitos.

O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-BA) evidencia os dados estatísticos que mostram esse avanço e conquista. Na Bahia, 52,78% do eleitorado apto atualmente é composto por mulheres. Salvador registra 1.072.918 eleitoras em um cenário de 1.933.341 pessoas aptas ao voto, um percentual de 55,5% do eleitorado. No cenário nacional, as mulheres também são maioria com 52,85% de aptas ao voto, totalizando 82.546.809 eleitoras no país.

Segundo a servidora do TRE-BA, professora e pesquisadora em Gênero, representação feminina na política e interseccionalidades, Janiere Portela, embora o acesso ao voto tenha possibilitado às mulheres escolher seus representantes, são muitos os desafios para a emancipação política concreta das mulheres até os dias atuais. “Ainda continuamos sub-representadas nos cargos de poder, atingindo nas últimas eleições o percentual máximo de 18% de mulheres eleitas, o que deixa o Brasil na posição 135 de 184 países, no ranking mundial de participação de mulheres nos parlamentos”, declarou.

As candidaturas da última eleição, 2024, também refletem as dificuldades que as mulheres encontram para acessar as posições de decisão. Para o cargo de prefeito(a), na Bahia, 84,25% das candidaturas foram masculinas (968) e 15,75% femininas (181); para vice-prefeito(a), eram 924 homens (78,77%) e 249 mulheres (21,23%); e para o cargo de vereador(a), o perfil de candidaturas foi também mais masculino (64,87%), com 21.329 registros.

Para Portela, mesmo com as cotas de gênero para reserva de candidaturas, a sub-representação política feminina persiste por várias questões estruturais, como a violência política de gênero e de raça, a propaganda negativa e desinformação no meio digital, a fraude às cotas de gênero/raça, a sobrecarga por acúmulo de trabalho profissional, tarefas domésticas e de cuidado, entre outras questões.

A servidora ainda destacou que é preciso analisar as interseccionalidades envolvidas, pois as mulheres negras, indígenas e com deficiência enfrentam ainda mais opressões em razão do racismo estrutural, patriarcado e do capacitismo. Com dados do Portal de Estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do sistema interno de dados do TRE-BA.