BAHIA


Mais de 6,5 milhões deixam de votar na Bahia em três eleições, aponta estudo 

Levantamento do TRE-BA revela perfil dos eleitores ausentes e indica medidas para reduzir abstenção  

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Um levantamento do Grupo de Pesquisas Judiciárias do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (GPJ/TRE-BA) aponta que mais de 6,5 milhões de eleitores do estado deixaram de votar e não justificaram a ausência nas eleições de 2020, 2022 e 2024, considerando primeiro e segundo turnos. 

Os dados mostram a dimensão da abstenção ao longo dos últimos pleitos: em 2020, foram 2.240.067 faltosos; em 2022, o número subiu para 2.408.763; já em 2024, houve redução, com 1.928.520 eleitores ausentes. 

Na capital, Salvador, o maior índice de abstenção foi registrado em 2020, período marcado pela pandemia de Covid-19. Naquele ano, dos 1.897.098 eleitores aptos, 26,46% não compareceram às urnas. Em 2022, a taxa caiu para 17,92%, com 355.345 ausentes entre 1.983.198 eleitores. Já em 2024, o índice voltou a subir, alcançando 23,40%, o equivalente a 460.893 faltosos de um total de 1.969.757 aptos. 

O estudo também traça o perfil dos eleitores que mais se abstêm. A ausência é mais comum entre pessoas com mais de 70 anos ou jovens entre 21 e 29 anos, especialmente aqueles com baixa escolaridade e estado civil viúvo ou separado judicialmente. Também há maior incidência entre pessoas com deficiência e entre eleitores com voto facultativo. 

As informações foram obtidas a partir do Portal de Estatísticas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Relatório Gerencial das Eleições 2024 do TRE-BA, reunindo análises quantitativas e qualitativas para identificar padrões de comportamento. 

Para enfrentar o problema, o relatório sugere medidas voltadas à ampliação da participação democrática. Entre elas, estão ações de acessibilidade, como mais seções eleitorais adaptadas, transporte acessível e materiais informativos inclusivos. 

No campo da educação, o estudo propõe fortalecer parcerias com escolas e universidades para incentivar a conscientização sobre a importância do voto. Já na área logística, recomenda a oferta de transporte público gratuito ou subsidiado nos dias de eleição, sobretudo em regiões periféricas e rurais, além de reforço na segurança dos locais de votação. 

O combate à desinformação também aparece como prioridade, com a ampliação de campanhas permanentes e canais oficiais para esclarecer boatos e orientar os eleitores.