BAHIA


Fala de secretário de que fugas de presos ocorrem ‘por facilitação’ é caluniosa, dizem agentes

Em nota, categoria afirma que José Castro adota discurso de "cinismo e descaso" com a realidade do sistema prisional; procurada, pasta não respondeu

O secretário de Administração Penitenciária, José Castro, e o governador Jerônimo Rodrigues (PT) – Foto: Reprodução/Instagram/@sec.josecastro

 

Policiais penais classificaram como “irresponsáveis e caluniosas” afirmações do secretário estadual de Administração Penitenciária, José Castro, de que fugas nos presídios baianos ocorrem “sempre por facilitação”. As declarações foram dadas durante entrevista a um programa da TV Aratu, afiliada do SBT em Salvador.

A categoria diz que as falas de Castro não condizem com a realidade do sistema prisional e cobram uma retratação pública dele. O MundoBA procurou a Seap (Secretaria de Administração Penitenciária) para comentar o caso, mas não houve resposta até a publicação deste texto.

“Esse discurso é um misto tosco e pútrido de má fé, cinismo e descaso com a realidade da Administração penitenciária do Estado da Bahia, pois as unidades prisionais tem graves problemas de diversas ordens que lamentavelmente ocasionam em fugas que tão gravemente aterrorizam a população baiana e a segurança pública do Estado”, dizem os agentes, em uma nota de repúdio assinada por Reivon Pimentel, presidente do Sinppspeb (Sindicato dos Policiais Penais e Servidores Penitenciários da Bahia).

Segundo o texto, parte das unidades está “gravemente sucateada”, com falhas estruturais, ausência de videomonitoramento, carência de telamento aéreo e falta de vigilância perimetral.

O sindicato também aponta o “déficit vergonhoso” de efetivo como um dos principais fatores que comprometem a segurança nas unidades.

Afirma que o número de policiais penais está muito abaixo do recomendado pelo Conselho Nacional de Políticas Criminais e Penitenciárias, que sugere a proporção de um servidor para cada cinco detentos.

A entidade critica ainda o que chamou de postura “punitivista e injusta” de Castro ao afastar um policial penal após uma fuga no Conjunto Penal de Feira de Santana — o maior do estado. O servidor, conforme a entidade, teria sob sua responsabilidade mais de mil internos e seis pavilhões no momento em que os detentos escaparam.

“É uma injustiça e crueldade sem precedentes colocar sobre os ombros do servidor a culpa pelos problemas do sistema, quando ele é uma das maiores vítimas da falta de estrutura e de valorização”, acrescenta a nota.

“São profissionais íntegros, que arriscam a própria vida para proteger e servir a população baiana.”