BAHIA


Bahia despeja mais de 780 milhões de litros de esgoto por dia em rios e praias, aponta estudo

Levantamento do Instituto Trata Brasil revela que 58,4% da população segue sem acesso à rede de esgoto no estado

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Um estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a EX ANTE Consultoria, mostrou que mais de 780 milhões de litros de esgoto foram despejados por dia nos córregos, rios e praias da Bahia em 2024. As informações foram divulgadas pelo jornal Correio.

O montante descartado naquele ano corresponde a 52,5 litros por dia para cada morador e traz ameaças imediatas à saúde pública, além de impactos negativos sobre a fauna e a flora.

Salvador foi o único município entre as regiões intermediárias da Bahia a registrar índice de tratamento de esgoto acima das médias estadual e nacional, alcançando 76,5%. Os piores percentuais foram observados em Irecê, onde somente 10,2% do esgoto produzido é tratado, seguido por Paulo Afonso (16,7%), Santo Antônio de Jesus (21,2%), Guanambi (25,7%) e Feira de Santana (28,6%).

Segundo a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, há “total correlação” entre a balneabilidade e a falta de saneamento básico no estado.

“Há uma procura bastante grande pelas praias baianas, um adensamento populacional cada vez maior. Essa população vai gerar esgoto e esse esgoto, quando não é tratado, vai infiltrar no solo e parar nos rios e mares […] A natureza não consegue mais depurar todo esse volume de esgoto que está sendo lançado sem tratamento adequado, e isso faz com que haja cada vez mais poluição e os pontos fiquem impróprios para banho por conta de toda a contaminação desses microorganismos”, afirmou Luana.

No ano de 2024, 58,4% da população baiana ficou sem acesso à rede geral de esgoto, índice maior que a média do Brasil, que foi de 44,8%. Neste mesmo ano, 2,849 milhões de pessoas ainda moravam em residências sem acesso à água tratada na Bahia, representando 19,2% da população do estado.

O estudo feito pelo instituto, batizado como “Benefícios Econômicos da Expansão do Saneamento na Bahia”, analisou o saneamento no estado entre 2000 e 2024, além de projetar os potenciais impactos no período até 2040, prazo limite para a universalização dos serviços básicos, conforme previsto no Marco Legal do Saneamento Básico.

Conforme dados do Censo Demográfico, entre 2000 e 2022, aproximadamente 3,4 milhões de baianos passaram a contar com abastecimento de água tratada, enquanto 3,1 milhões passaram a dispor de coleta de esgoto em seus domicílios.

Neste mesmo período, o número de pessoas que vivem em moradias sem banheiro no estado foi reduzido de 3,172 milhões, em 2000, para 182 mil, em 2022.