SAÚDE


Covid-19 volta a crescer em 19 estados e preocupa autoridades de saúde 

Bahia está entre as unidades da Federação com aumento de casos; Fiocruz também identifica sinais de crescimento nas internações por complicações da doença 

Foto: PIRO/Pixabay

Os casos de Covid-19 voltaram a apresentar tendência de crescimento no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, a alta ocorre há seis semanas consecutivas e já foi identificada em 19 unidades da Federação, incluindo a Bahia. O avanço atinge diferentes faixas etárias, de crianças a idosos. 

O aumento das infecções também começa a refletir nas hospitalizações. Em boletim divulgado na quinta-feira (5), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou sinais de crescimento dos casos graves provocados pelo coronavírus em diferentes regiões do país. 

Apesar da tendência de alta, o cenário epidemiológico ainda é considerado de baixo risco. O Ministério da Saúde mantém essa classificação para todos os estados, enquanto a Fiocruz aponta que a incidência de casos graves permanece reduzida. 

Desde o início de 2026, o país registrou 118.851 notificações de síndrome gripal por Covid-19, conforme dados atualizados até 4 de novembro. O número não representa o total de infecções, já que nem todos os casos são diagnosticados ou notificados. 

Outro indicador que chama atenção é a positividade dos exames realizados em laboratórios privados. De acordo com o Ministério da Saúde, a proporção de testes positivos para o coronavírus apresenta crescimento há nove semanas consecutivas. 

Bahia está entre os estados com aumento de casos 

O levantamento considera a evolução das notificações nas seis semanas mais recentes, até o período de 25 a 31 de outubro. A tendência de crescimento foi identificada em 19 estados e no Distrito Federal, distribuídos pelas cinco regiões brasileiras. 

Confira as unidades da Federação com tendência de alta: 

* Norte: Rondônia e Roraima; 

* Nordeste: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Piauí; 

* Centro-Oeste: Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso; 

* Sudeste: Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo; 

* Sul: Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 

A tendência não significa que os registros tenham aumentado em todas as semanas, mas que os dados analisados apontam crescimento no conjunto do período. 

Internações por Covid-19 também apresentam sinais de alta 

O avanço das infecções começa a aparecer nos registros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), condição que pode exigir hospitalização. 

De acordo com o boletim InfoGripe, da Fiocruz, há sinais de aumento dos casos graves de Covid-19 em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Em Mato Grosso, o coronavírus aparece como principal responsável pelo crescimento das ocorrências de SRAG. 

Dados do Ministério da Saúde apontam que, até 31 de outubro, foram registradas 3.479 hospitalizações por SRAG com identificação do SARS-CoV-2 e 437 mortes de pacientes com quadros graves nos quais o vírus foi detectado. 

Segundo o infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o aumento das internações pode acompanhar a maior circulação do coronavírus, sem necessariamente indicar uma mudança na gravidade da doença. 

Isso acontece porque, quando mais pessoas são infectadas, também pode crescer o número absoluto de pacientes que desenvolvem complicações, mesmo que a proporção de casos graves permaneça semelhante. 

Novas variantes estão relacionadas ao crescimento? 

O Ministério da Saúde monitora as linhagens do coronavírus em circulação no país por meio do sequenciamento genético de amostras de pacientes. 

Em 2026, até a semana epidemiológica 42, foram registrados 2.199 sequenciamentos na plataforma internacional Gisaid. As análises identificaram 127 linhagens diferentes do SARS-CoV-2, sendo que aproximadamente 90% das amostras pertenciam à linhagem XFG ou a suas descendentes. 

De acordo com Kfouri, o surgimento de novas variantes faz parte da evolução natural do coronavírus e contribui para ondas periódicas de infecção. 

Até o momento, entretanto, não há indícios de que as linhagens predominantes estejam provocando quadros mais graves. 

Quem tem maior risco de desenvolver complicações? 

A Covid-19 continua representando riscos de complicações, internações e mortes, principalmente entre idosos, pessoas imunocomprometidas e indivíduos com determinadas doenças crônicas. 

Dados do InfoGripe mostram que, considerando todas as síndromes respiratórias graves, a incidência é maior entre crianças pequenas, especialmente aquelas com menos de dois anos. Já a mortalidade é mais elevada entre pessoas com 65 anos ou mais. 

Esses indicadores incluem diferentes vírus respiratórios, não apenas o coronavírus. 

Vacinação continua sendo a principal forma de prevenção 

Mesmo com o aumento recente das infecções, especialistas reforçam a importância de manter a vacinação contra a Covid-19 em dia, especialmente entre os grupos mais vulneráveis. 

Pelo Calendário Nacional de Vacinação, pessoas com 60 anos ou mais têm recomendação de doses semestrais. Gestantes devem receber o imunizante a cada gravidez, enquanto crianças pequenas seguem esquemas de duas ou três doses, conforme a vacina utilizada. 

Pessoas imunocomprometidas também precisam manter a vacinação periódica. Outros grupos prioritários, incluindo indivíduos com comorbidades, possuem recomendações específicas. 

A orientação é acompanhar o calendário de vacinação e procurar atendimento de saúde diante de sintomas ou sinais de agravamento da doença.