ELEIÇÕES


Desejo por mudança lidera entre eleitores de Flávio, e proteção social motiva votos em Lula

Pesquisa Datafolha detalha as principais razões para a escolha dos brasileiros no segundo turno da eleição presidencial

Fotos: Ricardo Stuckert/Campanha de Lula e Vittor Sales/Campanha de Flávio Bolsonaro

​O instituto Datafolha revelou na terça-feira (13) e na quarta-feira (14) os motivos da escolha dos eleitores do Brasil para a Presidência da República. A busca por mudança lidera entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), e a proteção social é a principal razão para os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

​O levantamento ocorreu em 153 municípios brasileiros a poucos dias do segundo turno, marcado para o próximo dia 25. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro na Justiça Eleitoral sob o número BR-00466/2026.

​A mudança e a alternância de poder representam a motivação de 41% dos eleitores de Flávio Bolsonaro. O candidato obteve 51% dos votos válidos na última pesquisa do instituto.

​Em entrevista à TV Globo na sexta-feira (16), o candidato do PL repetiu a proposta de fim da reeleição. Ele declarou que “o Brasil já escolheu a mudança”.

​A rejeição a Lula e ao PT é o segundo motivo mais citado pelos eleitores do senador, com 31%. A economia e o custo de vida somam 16%, e as propostas e a qualidade do candidato registram 15%.

​A mudança tem maior peso para os apoiadores do candidato do PL com renda superior a cinco salários mínimos, com 47%. Entre os jovens de 16 a 24 anos, as propostas do candidato lideram com 31%, e a mudança cai para 24%.

​Outras razões citadas pelos eleitores de Flávio incluem desempenho e legado (14%), valores e democracia (13%), corrupção (11%) e segurança (10%). Afirmam não ter motivo específico 12% deste segmento (taxa que sobe para 16% entre os que ganham menos de dois salários mínimos).

​Para os eleitores do presidente Lula, que marcou 49% dos votos válidos, a proteção social e de classe é a principal motivação. Essa razão foi citada por 48% dos entrevistados.

​O índice de motivação por proteção social atinge 52% entre os eleitores com ensino fundamental. Entre os evangélicos, o mesmo motivo chega a 59%.

​A campanha do PT foca na possibilidade de cortes em benefícios sociais e na aprovação do fim da escala 6×1. Na sexta-feira (16), Lula comentou o tema na cerimônia de promulgação da PEC.

​”Não tem uma conquista do povo trabalhador que não aparece aqueles dizendo: ‘isso vai ser um atraso para o país, isso vai quebrar as empresas, isso vai quebrar a economia, isso não pode dar certo’”, disse o presidente. Ele completou a fala com a afirmação: “Isso é histórico, isso é crônico.”

​O desempenho e o legado do petista representam 22% das motivações dos seus eleitores. A rejeição a Flávio soma 17%, e os valores, a ideologia e a democracia marcam 11%.

​As propostas do presidente somam 10%, e 9% dos apoiadores do PT dizem não ter motivo específico para o voto. A motivação ideológica atinge 20% entre os eleitores de Lula com idade entre 16 e 24 anos.

​A economia e o custo de vida motivam apenas 6% dos eleitores de Lula, e a mudança e alternativa soma 1%. Entre os eleitores de Flávio, a proteção social representa 5%, e o vínculo e hábito marcam 2%.

​O Datafolha também questionou os motivos dos eleitores com intenção de voto em branco ou nulo, que representam 6% do total da pesquisa. A rejeição a ambos os candidatos lidera neste grupo com 37%.

​A descrença e o desinteresse somam 19%, e a desconfiança e a corrupção atingem 18%. A falta de opção marca 12%, e 16% desses entrevistados afirmam não ter motivo específico para anular o voto.