POLÍTICA


Associação de diplomatas rebate críticas sobre estruturas de gênero no Itamaraty

Entidade publicou nota para defender a igualdade na política externa e rejeitou acusações de aparelhamento ideológico

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Associação de Mulheres Diplomatas Brasileiras (AMDB) divulgou uma nota oficial nesta sexta-feira (16). O documento defende as políticas públicas de igualdade de gênero no Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) em resposta a declarações públicas recentes.

A manifestação ocorreu após críticas nas redes sociais contra estruturas internas do órgão. As publicações questionaram a Assessoria de Participação Social e Diversidade (ASPD) e a Assessoria Especial para a Transversalização de Gênero (AETG).

Os críticos argumentam que esses departamentos representam gastos e aparelhamento ideológico da política externa. A AMDB não mencionou os autores dos questionamentos e afirmou que a promoção da igualdade de gênero compõe a defesa dos interesses nacionais.

A associação rejeitou o suposto conflito entre as pautas de diversidade e as prioridades brasileiras. A nota citou o impacto do tema em negociações comerciais, iniciativas de paz e segurança e assuntos de migração e refúgio.

A entidade explicou que a diplomacia atual além das relações comerciais e de segurança para buscar soluções aos desafios globais. A área abrange cooperação internacional, direitos humanos, desenvolvimento sustentável, segurança alimentar e proteção de brasileiros no exterior.

O texto argumentou que a inclusão do tema de gênero nas políticas públicas é uma prática de gestão baseada em evidências. O documento ressaltou que a incorporação dessa temática deve ser contextualizada em cada caso.

A prática precisa considerar os objetivos de cada política pública, as competências das instituições e os resultados pretendidos. A associação citou o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) para sustentar a posição institucional.

Os estudos desses órgãos internacionais indicam um impacto econômico positivo com a ampliação da diversidade. A criação de mecanismos para ampliar a participação de homens e mulheres no mercado de trabalho e em posições de comando pode elevar o Produto Interno Bruto (PIB) global em 20%.

A AMDB defendeu a responsabilidade e o respeito aos fatos no debate sobre o funcionamento de órgãos públicos. A entidade rejeitou o uso de questionamentos estruturais para desqualificar servidores ou disseminar suspeitas genéricas sobre a atuação governamental.

O documento criticou a tentativa de associar as competências técnicas das profissionais a uma suposta falta de compromisso com o país. A associação destacou que o serviço diplomático brasileiro é uma instituição de Estado orientada pela Constituição de 1988 e pelo direito internacional.

As ações de carreira seguem as leis internas e as diretrizes de política externa estabelecidas por autoridades democratamente constituídas. A competência dos profissionais deve ser avaliada com base na qualificação, no desempenho e no compromisso com as atribuições públicas.