ELEIÇÕES


Meta AI cria propaganda para Flávio Bolsonaro e veta conteúdo de Lula

Empresa afirma cumprir regras eleitorais e diz ter tomado medidas adicionais para que 'comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos também não

Fotos: Vittor Sales/Campanha de Flávio Bolsonaro e Ricardo Stuckert/Campanha de Lula

 

A inteligência artificial disponível no WhatsApp, a Meta AI, se recusa a criar material de campanha para o presidente Lula (PT), mas atende a pedidos semelhantes relacionados ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Testes feitos pelo jornal Folha de S. Paulo com o chatbot mostraram respostas diferentes para solicitações de cartazes e peças de propaganda dos dois políticos.

Em uma das conversas, a publicação pediu à ferramenta que criasse um cartaz com a frase “Lula 13”, porém, o chatbot se recusou a gerar a imagem, sem dar explicações. Um pedido para criar um cartaz verde e amarelo com o nome “Flávio 22” foi atendido

A ferramenta gerou uma peça com o nome do senador em letras grandes e as palavras “compromisso”, “trabalho” e “renovação”.

A coluna tentou repetir os pedidos em diferentes conversas, com variações nas instruções, mas obteve os mesmos resultados: a ferramenta barrou as imagens solicitadas para Lula e produziu material de campanha para Flávio.

Procurada, a Meta disse ter proibido “temporariamente a recomendação de candidatos ou a geração de imagens deles”, em cumprimento com as regras eleitorais do Brasil. “Tomamos medidas adicionais para que comandos usando apenas o primeiro nome dos candidatos e seu número nas urnas também não produzam imagens”.

O episódio ocorre em meio a questionamentos da campanha de Lula sobre a atuação da Meta nas eleições. Na sexta (10), o grupo petista afirmou que acionaria o Tribunal Superior Eleitoral e a Agência Nacional de Proteção de Dados por suposta interferência da empresa na disputa em favor de Flávio Bolsonaro. A campanha relatou problemas para impulsionar publicações no Instagram e restrições a contas de anúncios, além de alegar que o algoritmo privilegiava o adversário.

Em resposta, o TSE determinou que a Meta apresentasse esclarecimentos técnicos e preservasse registros de moderação, dados de anúncios e métricas relacionados às publicações investigadas. A empresa negou as acusações e afirmou que cumpre as regras eleitorais e está comprometida com a isonomia no uso de suas plataformas por todas as candidaturas.