ELEIÇÕES


Maior diferença entre Flávio e Lula está na classe C, diz jornalista

Segundo Pedro Doria, classe C tem comportamento eleitoral que não pode ser explicado apenas pela divisão tradicional entre esquerda e direita

Foto: Ricardo Stuckert/PR e Waldemir Barreto/Agência Senado

 

A classe C concentra a maior diferença de votos entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo análise do jornalista Pedro Doria, diretor de jornalismo do Canal Meio.

Em entrevista ao Bastidores CNN, nesta terça-feira (13), ele afirmou que esse grupo, que reúne uma parcela expressiva da população brasileira, é um dos principais desafios para a campanha do presidente Lula no segundo turno.

“É na classe C que existe a maior diferença entre Flávio e Lula. Primeiro porque é um volume de votos muito grande, quase metade do Brasil. E, número dois, porque é onde Flávio Bolsonaro é mais popular”, afirmou.

Segundo Doria, Lula ampliou seu apoio entre os eleitores das classes A e B em comparação com a eleição de 2022, mas perdeu espaço nas faixas de renda mais baixas.

O jornalista destacou que a classe C, formada por uma parcela importante dos moradores das periferias urbanas, tem um comportamento eleitoral que não pode ser explicado apenas pela divisão tradicional entre esquerda e direita.

Segundo ele, muitos desses eleitores desejam abrir o próprio negócio e ter mais autonomia para trabalhar. “Por um lado, ela parece de direita no sentido de que tem valores conservadores. E, nesse sentido, o Flávio Bolsonaro apela mais a ela. Ela quer não ter patrão, então, de certa forma, quer o Estado longe do negócio dela”, explicou.

Ao mesmo tempo, Doria observa que esse eleitorado continua valorizando os serviços públicos. “Por outro lado, todo o Estado de bem-estar social, a Previdência, a escola pública, o SUS, tudo isso ela quer mais e que seja melhor entregue”, afirmou.

Para o jornalista, as medidas anunciadas pelo governo Lula voltadas aos MEIs (microempreendedores individuais) procuram justamente alcançar esse eleitorado. Ele avaliou, no entanto, que a iniciativa pode ter chegado tarde, depois de o governo ter priorizado, durante boa parte do mandato, políticas associadas ao emprego formal.

Na avaliação do jornalista, a classe C tem um comportamento eleitoral pragmático e já demonstrou disposição para apoiar diferentes campos políticos. Ele lembrou que parte desse eleitorado votou em Jair Bolsonaro em 2018, migrou para Lula em 2022 e voltou a apoiar um candidato da família Bolsonaro neste ano.

“Esse eleitor já votou no PT. Esse eleitor não é antipetista. O que esse eleitor é, ele é prático”, afirmou.

Doria considera que a disputa por esses votos será importante para o resultado do segundo turno. Segundo ele, a pequena diferença entre os dois candidatos no primeiro turno mantém a eleição aberta, embora a recuperação de eleitores que já migraram para o adversário seja uma tarefa difícil.