ELEIÇÕES


Ativista contra as bets após morte do irmão, Juliana Prates continua cruzada antiapostas mesmo não eleita

Auditora filiada ao Republicanos obteve apenas 3.493 votos ao tentar uma vaga na Câmara de Deputados: "Meu compromisso não termina na urna"

Imagem: Reprodução/Instagram/@julianaprates.oficial

 

Ativista contra apostas online após perder o irmão para o vício em jogos, a advogada e auditora fiscal Juliana Prates (Republicanos) não conseguiu se eleger deputada federal pela Bahia ao somar 3.493 votos.

Apesar do revés nas urnas, Juliana afirmou que a campanha eleitoral termina, mas não a cruzada contra as bets que decidiu encampar. “Entrei na política movida por uma dor que jamais escolhi viver. E saio desta eleição sabendo que transformamos parte dessa dor em voz, consciência e mobilização. Cada voto que recebi carrega a mensagem de que essa pauta importa. Essas famílias importam. Essas vidas importam. Meu compromisso não nasceu numa eleição e não termina numa urna”, escreveu ela em sua conta no Instagram.

Na última quinta (8), a auditora usou a rede social para lamentar uma liminar da Justiça de SP autorizando que a Stake Brazil Ltda. voltasse a operar, apesar da medida provisória do governo federal que proibiu as apostas esportivas e os cassinos digitais no Brasil. A decisão beneficiava exclusivamente a Stake e não autorizava automaticamente o funcionamento das demais plataformas.

Um dia depois, comemorou a derrubada da medida, após o TRF-3 acolher um pedido da AGU (Advocacia-Geral da União) contra a liberação. “Notícia boa numa sexta.”

Em outra publicação, criticou um protesto do Flamengo, que passou estampar na camisa do time a frase “Proibir não é proteger.

“Desde quando proibir uma atividade que produz danos sociais não pode ser uma medida de proteção? Se fosse assim, não teríamos proibido o cigarro em ambientes fechados, restringido sua publicidade ou estabelecido limites para tantas outras atividades que oferecem riscos à sociedade”, reagiu.

Irmão tirou a vida após dívida de R$ 1,5 milhão 

O irmão de Juliana, o também auditor Otacílio Prates, começou a apostar em 2023. Ao longo de quase dois anos, ele adquiriu uma dívida de aproximadamente R$ 1,5 milhão. Em dezembro do ano passado, ele tirou a própria vida aos 46 anos.

Segundo a auditora, Otacílio dizia à família que havia perdido dinheiro com investimentos. O irmão também dizia ter prejuízos com day trade, criptomoedas e aplicações feitas com amigos. A explicação era plausível porque ele era servidor público com renda alta, estabilidade financeira e conhecimento sobre dinheiro.

A família, contudo, só descobriu as apostas após a morte dele. Juliana conta que teve acesso a uma carta, em que ele lamentava as dívidas. Também acessou o celular do irmão, com as senhas deixadas por ele. No aparelho, encontrou aplicativos de plataformas de apostas, contas abertas e grupos de apostadores.

Após a morte do irmão, Juliana passou a usar as redes sociais para alertar outras famílias sobre os perigos das bets.

De acordo com ela, diversas pessoas passaram  a procurá-la para contar histórias semelhantes à do seu irmão.

Em maio, a Justiça estadual determinou regras rígidas para a publicidade de bets durante as festas de São João. A decisão atendeu parcialmente a uma ação popular ajuizada por Juliana contra qualquer tipo de propaganda em eventos abertos, frequentados por crianças e famílias.

Em setembro, comemorou uma MP (medida provisória) do governo federal que pês fim às bets no Brasil.