ECONOMIA


IPCA avança 0,82% em setembro e supera teto das projeções do mercado

Resultado interrompe deflação anterior e atinge 4,88% em 12 meses com altas registradas em todos os grupos de produtos e serviços

Foto: Helena Pontes/Agência IBGE Notícias

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,82% em setembro de 2026 no Brasil e superou o teto de 0,74% previsto pelo mercado. Com o resultado, o acumulado em 12 meses atingiu 4,58%, patamar próximo ao limite máximo da meta de inflação.

O indicador encerrou o período de deflação do mês anterior. Segundo a analista de economia Débora Oliveira, a reversão ocorreu devido ao fim do bônus de Itaipu, medida que barateou a energia elétrica em agosto.

A analista comentou o impacto em transmissão no Live CNN nesta sexta-feira (9). “Com a retirada desse bônus, já se esperava que o índice voltasse a ficar positivo, voltasse a subir. Mas tivemos algumas surpresas, como o preço do combustível, que subiu um pouco mais do que era esperado”, afirmou.

Diferentemente de meses anteriores, nenhum dos grupos pesquisados apresentou queda nos preços. “Não teve mocinho nessa história. De todos os grupos que compõem o IPCA, todos tiveram alta”, disse Débora Oliveira.

O grupo de Habitação exerceu o maior peso no mês com elevação de 2,31%, sob efeito da tarifa de energia elétrica residencial. Já o setor de Transportes avançou 0,89%, sob pressão das passagens aéreas, que subiram 9,66%, e do encarecimento do etanol e da gasolina.

Na categoria de alimentos, a variação geral retornou ao campo positivo após três meses consecutivos de deflação. O tomate registrou alta de quase 38%, a batata-inglesa subiu 24,07% e a cebola aumentou mais de 10%.

A carne de frango teve queda de quase 2% e o grupo das frutas anotou deflação de 1,12%. Esses recuos isolados amorteceram parte da elevação no segmento alimentício.

A concentração dos reajustes em itens básicos afeta o orçamento das famílias. “Essa alta vem em contas que a gente não tem como apertar muito. Transporte, combustível, energia elétrica. São contas que você não tem como deixar de pagar. E alimentação”, pontuou a analista.

Trabalhadores dependentes de veículos, a exemplo dos motoristas de aplicativo, sofrem impacto direto pelo valor dos combustíveis por falta de alternativas de corte de custos. Além disso, a persistência inflacionária afeta as projeções para a política monetária nacional.

A conjuntura reduz a margem para cortes na taxa básica de juros pelo Banco Central. “A gente ainda deve ter menos espaço confortável para que o Banco Central continue cortando juros por muito mais tempo”, avaliou Débora Oliveira.

A adoção da bandeira tarifária amarela na conta de luz e os potenciais efeitos do fenômeno El Niño sobre a agricultura afastam a perspectiva de nova deflação no curto prazo.