ECONOMIA


Endividamento público pode chegar a 100% do PIB no próximo ano, diz FMI

Em agosto, dívida bruta do governo geral alcançou 82,9% do PIB, segundo Banco Central

Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

Quem assumir o Palácio do Planalto em 5 de janeiro de 2027 herdará uma dívida pública em trajetória de alta. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que o endividamento público brasileiro pode chegar a 100% do Produto Interno Bruto (PIB) no próximo ano. Em agosto, a dívida bruta do governo geral alcançou 82,9% do PIB, segundo o Banco Central.

O problema não está apenas no tamanho da dívida, mas também na pouca margem de manobra do Orçamento. O Projeto de Lei Orçamentária de 2027 prevê despesas totais de R$7,4 trilhões, mas esse valor inclui o refinanciamento da dívida pública. No limite de R$ 2,6 trilhões destinado a despesas primárias, como custeio e investimentos, 92% estão comprometidos com gastos obrigatórios.

Na prática, sobra pouco espaço para o governo escolher onde gastar. A proposta prevê R$ 266,8 bilhões em despesas discricionárias. Desse total, R$ 44,8 bilhões correspondem à reserva para emendas parlamentares.

Assim, restam cerca de R$222,1 bilhões para a manutenção da máquina pública e os investimentos, valor que o próprio Congresso considera comprimido pelo avanço das despesas obrigatórias. Para 2028, a estimativa oficial aponta a necessidade de mais R$15,8 bilhões apenas para manter esse nível de despesas discricionárias.