ELEIÇÕES


Veja por que vantagem de Flávio sobre Lula anima mercado financeiro

Cenário foi celebrado pelo setor, com disparada da Bolsa de Valores e forte queda do dólar e dos juros futuros

Foto: Pedro França/Agência Senado e Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Dianta da vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), investidores passaram a considerar mais provável uma troca de governo e aumentaram as apostas em uma possível mudança na forma como o governo administra suas receitas e despesas.

A diferença entre os candidatos foi de 1,87 ponto percentual. Com a vantegem, o Ibovespa disparou e superou pela primeira vez os 200 mil pontos. O dólar caiu mais de 4% e voltou ao patamar de R$5. As taxas de juros projetadas pelo mercado para os próximos anos também recuaram com força.

Segundo especialistas ouvidos pelo G1, o mercado passou a considerar mais provável a eleição de um governo visto como favorável ao equilíbrio das contas públicas. Essa expectativa reduziu as taxas de juros projetadas para os próximos anos e aumentou a procura por investimentos no Brasil.

A continuidade do movimento, porém, dependerá do resultado do segundo turno e da apresentação e execução de medidas concretas para equilibrar as contas públicas. “O ponto central é que o otimismo de curto prazo precisa se converter em entrega concreta”, afirma Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

O mercado também acompanha a composição do Congresso e dos governos estaduais. Para os analistas, o avanço de partidos de centro e de direita pode abrir espaço para mudanças na economia. A aprovação de qualquer medida, porém, continuará dependendo de negociação e apoio político.

Na avaliação de Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o resultado da eleição presidencial e a nova composição política mudaram as expectativas sobre a condução da economia. Segundo o economista, investidores passaram a antecipar uma trajetória mais controlada para a dívida pública, o que contribuiu para a queda dos juros futuros.

A reação mais intensa ocorreu na bolsa e nas taxas de juros projetadas pelo mercado. O Ibovespa superou pela primeira vez os 200 mil pontos e bateu um novo recorde.

Entre as principais ações negociadas na bolsa, os bancos registraram altas superiores a 10%. Banco do Brasil subiu 11%; B3, 22,63%; Bradesco, 13,57%; BTG Pactual, 22,52%; e Itaú, 10,37%.

A alta das ações está diretamente relacionada à queda das taxas de juros projetadas pelo mercado. Quando as taxas previstas para os próximos anos caem, os investimentos de renda fixa se tornam menos atraentes em comparação com as ações.

O dólar também reagiu ao novo cenário. A moeda americana caiu 4,12%, para R$ 5,0010, e chegou a R$ 4,9530 no menor valor registrado durante o dia. A queda pode ser explicada por dois movimentos relacionados à percepção de risco e à entrada de recursos.

Marcelo Bassani, economista e fundador da Boa Brasil Capital, explica que a expectativa de maior equilíbrio das contas públicas aumenta o interesse pelos investimentos brasileiros e pode estimular a entrada de recursos no país.

“Com o cenário e a expectativa de que uma eventual troca de liderança na Presidência do país possa fazer com que se tenha um fiscal mais ajustado, isso acaba incentivando investidores, no geral, a quererem aportar no país”, afirma.