POLÍTICA


Vorcaro nega à PF participação em grupos de intimidação e diz desconhecer ‘A Turma’ e ‘Os Meninos’

O ex-banqueiro, dono do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) na tarde desta quarta-feira (30)

Foto: Reprodução/YouTube

 

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) na tarde desta quarta-feira (30) e negou ter participado de atos violentos ou de caráter intimidatório contra desafetos. Ele também afirmou não conhecer a existência dos grupos chamados de “A Turma” ou “Os Meninos”.

O depoimento foi prestado no âmbito das investigações que apuram a atuação desses grupos e ocorreu após a defesa de Vorcaro ter tido acesso aos elementos reunidos no inquérito.

“Com o efetivo acesso da Defesa ao inquérito que investiga a suposta existência de grupos como ‘A Turma’ ou ‘Os Meninos’, ficou comprovado que tais expressões jamais designaram grupos específicos ou estruturas organizadas, evidenciado que não há qualquer tipo de ilicitude ou prática criminosa que possa ser atribuída a Daniel Vorcaro”, afirmou a defesa do ex-banqueiro, em nota.

Segundo as investigações da PF, a existência dos grupos teria sido identificada a partir de mensagens extraídas do celular de Vorcaro. As suspeitas sobre as atividades atribuídas aos integrantes também foram reforçadas por conversas encontradas no aparelho do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.

Na ocasião da prisão de Vorcaro, o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF) à época, descreveu “A Turma” como uma “estrutura utilizada para realizar atividades de monitoramento e coleta de informações de interesse do grupo investigado, bem como pela prática de atos de coação e intimidação de pessoas”. Entre os alvos, estariam concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas.

Um dos episódios investigados envolve o jornalista Lauro Jardim, de O Globo. Segundo as investigações, integrantes do grupo teriam discutido a possibilidade de simular um assalto contra o jornalista com o objetivo de “quebrar todos os dentes” dele, após publicações que teriam desagradado Vorcaro.

De acordo com a PF, o grupo seria comandado por Henrique Vorcaro, pai de Daniel. As investigações também apontaram Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, como uma espécie de gerente dessas estruturas.
Relação com Sicário

Durante o depoimento, Daniel Vorcaro afirmou conhecer apenas Mourão entre as pessoas apontadas nas investigações. Segundo os advogados, Vorcaro explicou que mantinha com ele um “contrato formal e lícito de prestação de serviços de inteligência e segurança digital”.

Sicário chegou a ser preso em uma fase anterior da Operação Compliance Zero. No entanto, ele cometeu suicídio enquanto estava detido na cela da Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte.

O depoimento desta quarta-feira foi marcado especificamente para tratar das atividades atribuídas aos grupos. Segundo a defesa de Vorcaro, não houve ameaça ou risco à integridade física de outras pessoas relacionado à atuação do ex-banqueiro.

Com informações da Agência Brasil