POLÍTICA


Cunhado de Vorcaro afirma que ex-dono do Master guardou R$ 20 bilhões no exterior

A declaração foi feita em dezembro do ano passado, após a primeira prisão de Vorcaro e a liquidação do banco

Foto: Reprodução/Redes sociais

 

Gravações de conversas e áudios de WhatsApp divulgados pela revista piauí nesta quarta-feira (30) mostram Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro, afirmando que o ex-dono do Banco Master teria guardado R$ 20 bilhões no exterior.

A declaração foi feita em dezembro do ano passado, após a primeira prisão de Vorcaro e a liquidação do banco. Em conversa com uma mulher identificada como Marina, com quem mantinha um relacionamento, Zettel afirmou que Vorcaro não conseguia acessar os recursos. “Ele guardou 20 bi no exterior e não consegue ir lá, não consegue gastar, não consegue pegar. Porque se pegar, é preso de novo”, disse.

O valor, no entanto, é uma afirmação feita por Zettel e não foi confirmado pelas autoridades. Segundo a piauí, as investigações haviam localizado até então cerca de R$ 2 bilhões em imóveis e outros bens ligados a Vorcaro.

As gravações também mostram que Zettel já demonstrava preocupação com a situação do Banco Master antes da liquidação. Em outubro, ele teria viajado ao exterior e relatado posteriormente a Marina que havia escondido dinheiro diante da possibilidade de seus bens serem bloqueados caso o banco fosse liquidado.

Na véspera da liquidação, Zettel estava em um voo de Brasília para São Paulo com Vorcaro e enviou um áudio sobre a expectativa em relação ao desfecho do caso. No dia seguinte, 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação do Master. Vorcaro havia sido preso na noite anterior, quando tentava embarcar para Dubai.

Ainda segundo a piauí, após a prisão de Vorcaro, Zettel relatou que policiais haviam apreendido telefones e equipamentos e que contas e bens tinham sido bloqueados. As conversas indicam que ele continuava responsável por pagamentos, documentos e outras demandas relacionadas ao grupo.

As mensagens também mostram pagamentos destinados a advogados, auxiliares e outras pessoas citadas nas investigações do caso Master. Entre os repasses mencionados estão parcelas relacionadas ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo as conversas, os depósitos teriam sido feitos a pedido do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).