POLÍTICA


Eduardo Bolsonaro promete ‘faxina’ no Itamaraty

Ex-deputado afirma que eventual governo de Flávio Bolsonaro retaliará diplomatas com atuações consideradas de oposição

Foto: Flickr/Eduardo Bolsonaro

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmou, em vídeo publicado nesta quarta-feira (30), que realizará uma reestruturação no Ministério das Relações Exteriores caso seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial. O ex-parlamentar declarou que o embaixador do Brasil na Espanha, Luiz Alberto Figueiredo, deixará o cargo por auxílio prestado à família do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na publicação, o ex-legislador exibiu o áudio de uma mensagem diplomática sobre apoio para a busca de escola para os filhos de Fábio Luís Lula da Silva em Madri, em 2025. Na terça-feira (29), o presidente Lula prestou esclarecimentos públicos sobre a transferência de seu filho para o exterior.

Eduardo Bolsonaro dirigiu avisos diretos aos servidores do ministério e criticou o uso da estrutura diplomática. “Então, meu caro servidor do Itamaraty, se você ajudou a sabotar o governo Bolsonaro, preocupe-se de verdade, porque eu vou estar na sua cola”, declarou no vídeo.

Ele complementou a declaração com promessas para a gestão diplomática. “Se você não fez isso, parabéns, você fará parte do time que vai resgatar a credibilidade do Itamaraty, que vai virar a página, de serem servidores de corruptos e filhos de corruptos para passar a servir o povo brasileiro”, afirmou.

O ex-deputado citou expressamente o posto em Madri. “Flávio Bolsonaro sendo eleito, certamente um dos primeiros a sair do posto será o embaixador do Brasil na Espanha para dar o exemplo de que isso não acontecerá”, disse.

Eduardo justificou a medida sob a alegação de condutas irregulares de diplomatas durante a gestão do pai. “[A faxina] é para evitar esse tipo de coisa e relembrar que diplomatas, embaixadores e qualquer cargo dentro do Itamaraty são de servidores públicos, que servem ao público, não a seus próprios gostos, inclusive isso configura o crime de prevaricação”, declarou.

Eduardo Bolsonaro reside nos EUA desde março de 2025, após alegar risco de retenção de seu passaporte pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele perdeu o mandato de deputado federal em dezembro por ausências acumuladas na Câmara dos Deputados.

Em junho deste ano, o STF condenou o ex-parlamentar a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo. Em setembro, ele perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal por abandono de função.

O plano de reformulação institucional do Itamaraty prevê a adoção de metas de exportação, alteração no sistema de promoções e eventual nomeação de quadros externos. A proposta foi detalhada por Marcos Degaut com base no modelo do Departamento de Estado norte-americano.

Degaut afirmou a interlocutores a necessidade de funções externas, mas negou a existência de perseguições por motivos políticos. O modelo norte-americano de referência resultou na redução de vagas e no aumento de indicados políticos.