ELEIÇÕES


Brasil informou Europa sobre suposta interferência eleitoral de EUA e Rússia, diz agência

Suposta manipulção dos EUA variou “de ações judiciais até interferência abertamente reconhecida”, afirmaram funcionários da Abin em relatório

Foto: Paulo Pinto/Agencia Brasil

 

Uma delegação da França e da Alemanha viajou no início deste mês para Brasília, onde autoridades dos serviços de inteligência informaram sobre suposta interferência dos Estados Unidos e da Rússia antes das eleições no Brasil, de acordo com fontes e documentos analisados pela agência Reuters.

Agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) “confirmaram a existência de interferência tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia”, segundo um relatório das reuniões elaborado por um dos participantes.

A suposta interferência dos EUA variou “de ações judiciais até interferência abertamente reconhecida”, afirmaram os funcionários da Abin, ainda de acordo com o relatório. Eles não deram detalhes sobre a suposta interferência russa.

O primeiro turno das eleições no Brasil ocorre neste domingo (3), com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma disputa acirrada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Procurado pela Reuters, o Departamento de Estado americano, que já negou ter tentado interferir nas eleições brasileiras anteriormente, não comentou.

A Abin e a embaixada da Rússia no Brasil também não responderam aos pedidos de comentário da Reuters. O governo russo já negou anteriormente ter interferido nas eleições de outros países.

O apoio aberto do governo Trump a candidatos de direita em todo o mundo representa um desafio para os governos em exercício quanto à questão de se tal ação constitui interferência estrangeira. Nos últimos meses, os EUA apoiaram abertamente candidatos com ideologias alinhadas em toda a Europa e na América Latina.

Autoridades na França, onde a candidata presidencial Marine Le Pen lidera as pesquisas de opinião, têm se manifestado abertamente contra qualquer intromissão dos EUA em seus assuntos internos. Em particular, elas afirmam que veem a eleição no Brasil como um possível sinal de alerta para a própria eleição presidencial da França no ano que vem.

Autoridades francesas e alemãs visitaram o Brasil entre 9 e 11 de setembro como parte de uma delegação da União Europeia para discutir a implementação da DSA (Lei de Serviços Digitais) do bloco, que exige que as plataformas online tomem mais medidas para combater conteúdos ilegais e prejudiciais.

Os EUA têm criticado a DSA, alegando que ela visa injustamente os gigantes da tecnologia americanos. Os objetivos da delegação europeia no Brasil também incluíam “preparar respostas coordenadas antes das eleições de 2026”.