ECONOMIA


Canetas emagrecedoras levam 57% a priorizar proteínas e abrem mercado para agro

Levantamento do sistema FAEP mostra que medicamentos reduzem apetite e consumo de ultraprocessados e aumentam busca por proteínas

Foto: Caroline Morais/Ministério da Saúde

 

A popularização das canetas emagrecedoras tem produzido efeitos além das farmácias. Mudanças no comportamento alimentar de quem utiliza esses medicamentos estão abrindo oportunidades para segmentos do agronegócio ligados à produção de leite, carnes, ovos e grãos.

Um levantamento da Pluxee com 1,2 mil usuários mostra que, entre os entrevistados que utilizam os medicamentos, 84% reduziram o consumo de alimentos industrializados, 83% passaram a consumir menos ultraprocessados e 57% aumentaram a prioridade dada às fontes de proteína na alimentação.

Na avaliação do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Senar-PR e sindicatos rurais, o movimento pode criar novas oportunidades comerciais para produtores capazes de acompanhar a mudança de hábitos.

Os medicamentos utilizados no tratamento da obesidade atuam, entre outros mecanismos, na regulação do apetite. Segundo especialistas ouvidos pela CNN, isso pode reduzir a procura por alimentos ricos em açúcar, gordura e sal entre parte dos pacientes, ao mesmo tempo em que recomendações nutricionais durante o tratamento aumentam a atenção ao consumo adequado de proteínas.

Um dos efeitos mais visíveis aparece na pecuária leiteira. O soro do leite, matéria-prima utilizada na fabricação do whey protein, deixou de ser tratado apenas como subproduto da indústria de queijos e ganhou importância comercial diante do crescimento do mercado de suplementos proteicos.

Roger van der Vinne, produtor de Carambeí, no Paraná, e vice-presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite do Sistema FAEP, afirma que o preço do soro praticamente triplicou nos últimos dois anos.

O aumento do valor, entretanto, não significa que o ganho chegue imediatamente aos pecuaristas. A avaliação do setor é de que a valorização ocorre primeiro na indústria e depende de uma reorganização da cadeia para ser incorporada à remuneração recebida dentro das propriedades.

As mudanças também alcançam a genética animal. Estados Unidos e Canadá já alteraram índices utilizados na seleção de touros para dar maior peso à capacidade de produção de proteína em relação à gordura.

A avicultura também acompanha a tendência de alimentação associada à saúde e bem-estar. Antes mesmo da disseminação de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, empresas e produtores já ampliavam o portfólio com produtos destinados a consumidores dispostos a pagar mais por atributos específicos.

Entre os exemplos estão ovos enriquecidos com ômega 3, vitamina D e selênio, produtos orgânicos e linhas premium de frango criado com alimentação vegetal e sem utilização de antibióticos em determinadas etapas de produção.