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Emissoras de TV dos EUA boicotam cobertura após Trump vetar jornalistas

Em comunicado, emissoras defenderam que nenhuma administração deve restringir uma organização jornalística por discordar de sua cobertura

Foto: Official White House/Daniel Torok

 

As principais redes de televisão dos Estados Unidos decidiram suspender a cobertura conjunta da agenda do presidente Donald Trump na Casa Branca, em resposta à decisão de barrar a entrada de jornalistas da CNN, da MS NOW e do Politico na sede do governo em Washington, na última sexta-feira (18).

A decisão foi anunciada nesta segunda-feira (21) pela ABC, CBS, NBC e Fox News, que se revezavam com a CNN na produção e distribuição de imagens dos compromissos públicos do presidente. O sistema, conhecido como “pool”, permite que uma emissora escalada registre os eventos e compartilhe o material com os demais veículos.

Em comunicado, as emissoras afirmaram que o público tem interesse em receber informações independentes e precisas sobre o governo e que nenhuma administração deveria restringir uma organização jornalística por discordar de sua cobertura.

Em comunicado divulgado pela CNN Internacional e pelo jornal “The New York Times”, o chefe da Fox News, aliada do governo Trump, em Washington, respaldou o boicote. “Informamos que, a partir de hoje, o pool de emissoras de TV não fará a cobertura de eventos designados como cobertura em ‘pool’ do Presidente”, escreveu Bryan Boughton.

Na última sexta, o presidente acusou os três veículos de publicar o que chamou de “fake news”, sem apresentar provas sólidas, e afirmou que outras empresas de comunicação poderiam ser alvo de medidas semelhantes.

No sábado (19), jornalistas dos três veículos tiveram as credenciais apreendidas ao tentar entrar na Casa Branca. As organizações afirmaram que a medida viola a Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que protege a liberdade de expressão e de imprensa.

Nesta segunda, CNN, MS NOW e Politico entraram com uma ação contra o governo Trump em um tribunal federal de Washington. Os veículos pedem uma ordem judicial temporária para recuperar o acesso à Casa Branca enquanto o processo é analisado.

Trump negou que mire a liberdade de imprensa e afirmou que sua intenção foi combater as “fake news”, que, segundo ele, são espalhadas pelos veículos de imprensa banidos da Casa Branca.

“A Casa Branca não está promovendo um ataque à imprensa livre, algo que eu valorizo. Ela está promovendo um ataque às FAKE NEWS, algo que cresceu como um câncer em nossos amados Estados Unidos da América. Elas são corruptas, intencionais, disseminadas, totalmente coordenadas e completamente fora de controle. São uma ameaça à nossa segurança nacional e precisam ser detidas, AGORA!”, afirmou em sua rede social, Truth Social.

A CNN estava escalada para realizar, nesta segunda-feira, a cobertura televisiva conjunta da agenda de Trump. A emissora também acompanharia o presidente durante uma viagem a Nova York para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Com o veto à CNN, a Casa Branca retirou a emissora do grupo responsável pelo compartilhamento das imagens. Sendo assim, as demais redes decidiram não assumir a função em substituição à CNN.

Ao longo do fim de semana, veículos de comunicação criticaram, em editoriais, a decisão de Trump, acusando o presidente dos EUA de cercear a liberdade de imprensa, prevista na Constituição dos Estados Unidos.