POLÍTICA


Presidente afirma que acesso a celular de Vorcaro exporá envolvidos no Banco Master

Lula cita festas promovidas por ex-dono do banco em acusações contra o senador Flávio Bolsonaro

Fotos: Fernando Frazão/Agência Brasil e Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, nesta quarta-feira (16), que o acesso de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) ao celular de Daniel Vorcaro, empresário dono do Banco Master, revelará os participantes de eventos relacionados ao investigado no escândalo bilionário. Ele também associou o caso ao de seu adversário na corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Em declaração sobre o escândalo, o presidente definiu os episódios como “orgia pura”. Lula afirmou que a sociedade saberá “quem foi fazer suruba”.

“Agora a gente vai saber quem é que estava com mulher, quem foi fazer suruba”, disse Lula. “Tem gente famosa que era agenciador, que era o cafetão da turma. Tudo isso vai aparecer agora”, declarou.

O petista também direcionou acusações ao parlamentar. “Ele [Flávio Bolsonaro] está nervosinho porque vão aparecer todas as falcatruas dele com o Vorcaro, os churrasco, as bebidas, as mulheres e os R$ 130 milhões que ele pegou com o Vorcaro para poder financiar o filme do pai”, disse o presidente.

A menção refere-se ao filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de estado. Em maio, a divulgação de um áudio no qual o senador pedia recursos a Vorcaro para a produção afetou sua pré-campanha.

A Polícia Federal entregou a cópia do conteúdo do telefone na segunda-feira 914) aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, do STF. A PF ressaltou, em nota, o cumprimento das “cautelas de sigilo aplicáveis”.

Na terça-feira (15), mensagens tornadas públicas indicaram contatos do ex-banqueiro com o ministro André Mendonça e com filhos dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

O grupo Partido dos Trabalhadores (PT) alega que ocorreram omissões e vazamentos para favorecer Flávio Bolsonaro no período em que o material esteve sob análise do ministro André Mendonça.

A menos de três semanas da eleição, a pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (14) aponta o senador numericamente à frente no segundo turno, com 42% das intenções de voto contra 40% do atual presidente.