POLÍTICA


Aliado de Vorcaro transferiu R$10 mil para informar banqueiro sobre proteção do PCC, aponta PF

Transferência foi feita por integrante de grupo que atuava para banqueiro, após conversas sobre como informá-lo sobre uma “força por trás” na prisão

Foto: Reprodução

 

A Polícia Federal (PF) identificou uma transferência de R$10 mil em meio a uma articulação para fazer chegar a Daniel Vorcaro, enquanto estava preso, um recado sobre uma rede de proteção relacionada pelos investigadores ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

O dinheiro foi enviado por Manoel Mendes Rodrigues, integrante da “A Turma”, ao advogado André Luís Chagas Bergeralck, depois de discutirem uma forma de avisar o banqueiro de que havia uma “força por trás” capaz de ajudá-lo.

A informação consta de documentos da investigação do caso Master que estavam sob sigilo e no gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O material veio a público após a retirada do sigilo dos autos e reúne conversas, ligações e movimentações financeiras analisadas pela PF.

“A Turma” era uma espécie de milícia privada que atuava para Vorcaro. Segundo a investigação, o grupo reunia personagens ligados às forças de segurança, à milícia e ao jogo do bicho e era usado para obter informações, monitorar investigações e intimidar pessoas consideradas adversárias do banqueiro.

Não há, nos documentos analisados, indicação de que o dinheiro tenha sido repassado ao PCC ou de que o próprio banqueiro tenha determinado a transferência. A transferência, no entanto, aparece dentro de uma articulação que a PF descreve como uma “possível mobilização de integrantes ou pessoas relacionadas” ao PCC para prestar apoio a Vorcaro durante sua passagem pelo sistema penitenciário paulista.

A menção ao PCC nas conversas envolvendo Vorcaro e seus operadores antecede a prisão do banqueiro.

Em 2024, durante uma operação para recuperar a conta da atriz Monique Alfradique no Instagram, que havia sido invadida, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, informou a Vorcaro que estava com “os meninos na linha” e havia avisado aos responsáveis pelo ataque que “a turma vai atrás deles”.

Depois da recuperação da conta e diante de informações sobre transferências via Pix realizadas pelos golpistas, foi o próprio Vorcaro quem mencionou diretamente a facção em uma orientação a Mourão: “alinha com o pcc rsrs”.

Ao analisar a conversa, a PF afirmou que Mourão aparentava manter algum tipo de contato, direto ou indireto, com pessoas ligadas a organizações criminosas, o que permitiria esse tipo de interlocução. O episódio mostra que, mais de um ano antes da prisão, Vorcaro já tratava com Mourão sobre uma possível interlocução com o PCC.