JUSTIÇA


Justiça tenta bloquear R$ 3,28 bilhões de Tanure no caso Master, mas encontra apenas R$ 268

Ordem judicial foi cumprida parcialmente por insuficiência de saldo, segundo documentos do Sisbajud.

Foto: Wikimedia Commons/Marco Antonio Lima/Reprodução/LinkedIn @nelsontanure

 

A Justiça tentou bloquear R$ 3,28 bilhões do empresário Nelson Tanure, mas encontrou apenas R$ 268,08 em contas e investimentos, segundo documento do Sisbajud obtido pela Jovem Pan entre os arquivos das investigações do Banco Master.

A ordem, no valor exato de R$ 3.281.486.463,31, foi protocolada em 13 de janeiro deste ano pela 8ª Vara Federal Criminal de São Paulo, em uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF). O recibo do sistema registra Tanure como alvo e aponta R$ 268,08 como total efetivamente bloqueado.

A Genial Investimentos informou que a ordem foi cumprida parcialmente por insuficiência de saldo, com incidência sobre depósito a prazo, títulos ou valores mobiliários. A Caixa Econômica Federal, por sua vez, respondeu que Tanure não possuía saldo positivo.

O documento, emitido em 15 de janeiro, consolida o resultado da medida: R$ 268,08 bloqueados.

Dois dias antes do registro da ordem, Tanure havia sido alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro. A investigação apura suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

Em 6 de janeiro, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia autorizado o bloqueio de bens de Tanure a pedido da Procuradoria-Geral da República. Segundo a decisão, a Polícia Federal apontou indícios de que o empresário seria um “sócio oculto” do Banco Master e exerceria influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas.

A defesa de Tanure negou a acusação. Em manifestação divulgada em janeiro, afirmou que o empresário “jamais estabeleceu qualquer relação de natureza societária com o Banco Master” e que foi cliente da instituição financeira.

Sigilo do caso Master

Os documentos vieram a público depois que o presidente do STF, Edson Fachin, determinou a retirada do sigilo das investigações do Banco Master e dos processos relacionados ao caso. Fachin também mandou enviar o material aos demais ministros antes do julgamento marcado para 15 de setembro.

Relator das investigações, André Mendonça atendeu ao despacho e liberou os documentos. O ministro também determinou o envio de uma cópia integral do material à Presidência do STF e aos demais integrantes da Corte.

A retirada do sigilo ocorre em meio à crise aberta no Supremo após relatórios da Polícia Federal citarem contatos de Daniel Vorcaro com integrantes da Corte, entre eles Alexandre de Moraes.

Mendonça chegou a afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Flávio Dino determinou a volta dos dois aos cargos. Fachin posteriormente suspendeu as duas decisões, concentrou na Presidência do STF a análise dos processos relacionados ao caso e convocou os 11 ministros para discutir a investigação no plenário em 15 de setembro.