POLÍTICA


PF diz que Augusto Lima criou carteiras fraudulentas repassadas pelo Master ao BRB

Defesa de empresário rechaçou o conteúdo do documento, que veio a público após queda de sigilo

Foto: Paulo Mocofaya/Agência Alba

 

A Polícia Federal atribui a Augusto Lima, ex-sócio do Master, a elaboração de carteiras fraudulentas repassadas pelo Master ao BRB, banco do governo do Distrito Federal. Segundo a PF, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em CCBs (Cédulas de Crédito Bancário) consideradas falsas. As informações são da Folha de S. Paulo.

Segundo, uma auditoria citada na petição estimou em pelo menos R$ 5 bilhões o prejuízo ao banco público pelas compras desses ativos. Essas informações se tornaram públicas após a retirada do sigilo de documentos do caso Master na quinta-feira (10).

O documento também identifica pagamentos milionários do Master à Terra Firme, empresa controlada por Lima, que, na avaliação da PF, coincidiram com momentos em que ele atuava junto ao BRB para liberar recursos ao banco de Daniel Vorcaro.

Segundo a defesa, a Polícia Federal já afastou, em relatório, a alegação envolvendo as associações. Quanto às transferências mencionadas pela reportagem, havia contrato regular de prestação de serviços, e os serviços contratados foram prestados, afirma.

“Insinuar, apenas em razão dos valores envolvidos, que esses pagamentos representariam desvio de recursos em favor de Augusto Lima é uma ilação grave e sem respaldo nos fatos”, diz a nota.

De acordo com a Folha,iInúmeras reproduções de mensagens, registradas nos documentos, mostram a participação do empresário nas negociações entre Master e BRB.

Lima foi preso em novembro dentro da Operação Compliance Zero, com Vorcaro e outros executivos das instituições por suspeita de envolvimento nas fraudes de carteiras. Solto 11 dias depois, passou a usar tornozeleira eletrônica.

As carteiras transferidas para o BRB com suspeita de fraude eram originadas de operações com crédito consignado. Elas foram adquiridas pelo Master da consultoria Tirreno, criada em dezembro de 2024 e que prestou serviços ao banco de Vorcaro de janeiro a junho de 2025. Antes, parte desses consignados haviam sido firmados por meio de associações de servidores públicos da Bahia. Mais tarde, identificou-se que elas tinham relação com Lima.

A petição da PF amplia a relação do empresário com essas operações ao destacar textualmente que as carteiras, a partir de janeiro de 2025, “aparentemente, passaram a ser elaboradas pelo próprio Augusto Lima”.

Para reforçar o protagonismo de Lima, o documento cita que ele e Henrique Peretto, apontado como controlador e dono da Tirreno, trocaram mensagens para participarem juntos de uma reunião com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em 28 de maio de 2025.