POLÍTICA


Lula é orientado a convocar Conselho da República e defender mandato no STF

Interlocutores do gestor tem se preocupado com desempenho nas pesquisas e disputa contra Flávio Bolsonaro

Foto: Reprodução/TV Vanguarda

 

Diante da recente crise institucional e do resultado negativo nas últimas pesquisas de opinião, auxiliares do presidente Lula (PT) passaram a defender uma resposta mais firme do governo, o que incluiria a convocação do Conselho da República e a proposta de mandato para futuros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Interlocutores diretos do petista na Esplanada dos Ministérios acham essencial uma nova conversa urgente entre Lula e o presidente da Corte, Edson Fachin, para avaliar os próximos passos e buscar uma “solução pacificadora”.

Para esses auxiliares, a saída agora passa inevitavelmente pela abertura de investigações contra o ministro Alexandre de Moraes, mas também pelo afastamento de André Mendonça das relatorias dos casos Master e INSS, além do fim do inquérito das fake news.

A equipe do gestor tem se preocupado com o desempenho de Lula nas pesquisas e com a disputa contra o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que apareceu numericamente à frente do petista em simulação para o segundo turno da Nexus, divulgada nesta terça-feira (8).

Na avaliação de assessores diretos do presidente, a crise do STF deve protagonizar a reta final da campanha de Lula.
Por isso, algumas pessoas com acesso ao gabinete presidencial avaliam que não se pode mais contemporizar sobre a abertura de investigações contra Moraes. Ao mesmo tempo, o Planalto entende que é inaceitável a continuidade de Mendonça como relator dos casos Master e INSS, pois o ministro teria perdido a imparcialidade necessária para conduzi-los.

A campanha de Flávio tem explorado o fato de que Lula poderá indicar mais quatro ministros do STF até 2030, caso seja reeleito em outubro. Como resposta, interlocutores do petista consideram que ele precisa defender, imediatamente, mudança constitucional para fixar mandato com duração de dez ou 15 anos para futuros integrantes da Corte.

Outra sugestão já levada ao presidente, que ainda divide opiniões no governo, é a convocação do Conselho da República como parte da resposta “institucional”.

O órgão serve para assessorar a Presidência em momentos de crise e é formado por representantes do Poder Executivo, pelos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados, pelos líderes da maioria e da minoria nas duas Casas e por representantes da sociedade civil.

No entorno do petista, contudo, há quem pondere que a convocação extraordinária do colegiado poderia lançar mais holofotes sobre o tema e ser prejudicial à sua campanha à reeleição.