MAIS NOTÍCIAS


Reino Unido injeta R$ 2,7 bilhões no Fundo Florestas Tropicais para Sempre

Empréstimo condicionado a regras de governança aproxima iniciativa brasileira da meta de US$ 10 bilhões para início de operações

Foto: Acelen Renováveis/assessoria

O governo do Reino Unido anunciou o compromisso de aportar 400 milhões de libras (cerca de R$ 2,754) no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). A iniciativa, apresentada pelo Brasil na COP30, em Belém, busca remunerar a preservação de matas tropicais por meio de rendimentos no mercado financeiro.

O novo aporte eleva o montante do mecanismo para aproximadamente US$ 7,3 bilhões. O valor aproxima o instrumento da meta de US$ 10 bilhões necessária para o início da fase operacional.

A contribuição britânica ocorrerá no formato de empréstimo e dependerá da aprovação de regras de governança e auditoria. Londres também condicionou o repasse à participação direta nos órgãos de supervisão do fundo.

Os recursos captados no mercado passarão por aplicações financeiras para a geração de lucros. O retorno passará os países conservadores e remunerará os investidores, sem a necessidade de reembolso por parte das nações beneficiadas.

O modelo prevê que parcela dos rendimentos chegue diretamente a povos indígenas e comunidades locais. A proposta visa repartir os custos globais da proteção de ecossistemas localizados em países em desenvolvimento.

O diretor executivo do WWf-Brasil, Mauricio Voivodic, analisou a adesão britânica à iniciativa. “É muito significativo ver o Reino Unido se somar ao TFFF neste momento decisivo. Este compromisso reforça uma mudança necessária na forma como o mundo reconhece e financia a conservação das florestas tropicais: valorizando quem as protege e garantindo recursos de longo prazo para que essa proteção seja efetiva”, afirmou.

O executivo ressaltou o papel social previsto na distribuição dos recursos. “Ao incluir povos indígenas e comunidades locais como parte central dessa solução, o TFFF tem potencial para transformar a conservação em uma agenda de desenvolvimento”, disse Voivodic.

A opção pelo crédito integra a nova estratégia de atuar como investidora no financiamento climático. O objetivo final do mecanismo criado pelo Brasil é mobilizar US$ 125 bilhões para a conservação florestal global.