ELEIÇÕES


‘Não vou preservar o analfabetismo funcional’, diz Caiado sobre fim da aprovação automática

Candidato do PSD defende priorizar corte de gastos em vez de reforma da Previdência e critica uso de câmeras corporais em policiais

Foto: PSD

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) defendeu o fim da aprovação automática no ensino brasileiro nesta quarta-feira (26). A declaração ocorreu durante sabatina promovida pelos jornais O Globo e Valor Econômico e pela Rádio CBN.

Atualmente restrita ao ensino fundamental com o objetivo de evitar a evasão escolar, a aprovação automática deve dar lugar a avaliações de desempenho, segundo o postulante. “Passa de ano quem tem nota. Eu não vou preservar o analfabetismo funcional”, afirmou Caiado.

O candidato sustentou a realização de exames de proficiência para permitir o avanço dos estudantes de acordo com o aprendizado. “Pode prevalecer por proficiência, por resultado e por nota”, disse.

No setor econômico, Caiado afirmou que o foco em uma eventual gestão será o corte de gastos imediatos, com o adiantamento de uma nova reforma da Previdência. O postulante justificou que a situação de emergência do país exige medias imediatas, com reformas estruturais em um segundo momento.

“Eu vou atuar fortemente nesses excessos, desmandos, corrupções, desvios. Só de emenda impositiva, são quase R$ 70 bilhões. Incentivos fiscais, mais de R$ 650 bilhões. Não vou cortar, vou reorientar”, declarou.

Questionado sobre quais incentivos fiscais pretende revisar, Caiado declarou que definirá as medias apenas após o acesso aos dados oficiais. “Sem examinar o paciente, eu não posso dizer”, pontuou o candidato, ao classificar como irresponsável qualquer antecipação de cortes neste momento.

Em relação à segurança pública, Caiado classificou como “hipocrisia” o uso de câmaras corporais em policiais em operações nas favelas. Em agenda pública no Santuário da Penha, no Rio de Janeiro, o candidato já havia se posicionado de forma contrária ao equipamento.

“Pessoas me perguntam se não vou colocar câmera nos policiais. Não vou. Nós estamos em guerra. Me mostre o lugar do mundo que, em guerra, tem câmera no policial”, afirmou. Caiado argumentou que a análise posterior das filmagens difere da vivência dos agentes em situações de confronto real.

NA política externa, o candidato criticou a condução das relações diplomáticas com os Estados Unidos diante de novas tarifas comerciais. Caiado acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de atuar sob orientação do ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira.

“O Sidônio colocou na cabeça de Lula: biga com o Trump que você vai se reeleger”, afirmou. O candidato prometeu eliminar o viés ideológico do Ministério das Relações Exteriores para manter diálogo respeitoso com governos de diferentes correntes políticas.