BRASIL


Pesquisa aponta que 87% das vítimas no Brasil não reconhecem violência doméstica

Levantamento do DataSenado mostra que a Bahia registra índice de 32%, valor superior à média nacional de 29%

Foto: Marcos Santos/USP

O Mapa Nacional da Violência de Gênero revelou nesta terça-feira (25) que cerca de 29 milhões de mulheres foram vítimas de violência doméstica ou familiar no Brasil em um período de 12 meses. Do total de brasileiras atingidas, 24,97 milhões relataram situações concretas de agressão, mas não reconheceram o episódio espontaneamente como tal.

Na Bahia, o percentual de mulheres que vivenciaram violência sem a declaração espontânea atingiu 32%, índice superior à média nacional de 29%. O estado baiano empata com Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, atrás de Alagoas (36%), Amazonas (35%), Acre (34%), Tocantins (34%) e Sergipe (33%).

A 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, feita pelo DataSenado com a Nexus, indicou que apenas 4% das entrevistadas declararam espontaneamente ter sofrido agressões no ano anterior. O índice subiu para 33% quando o questionário apresentou episódios específicos, sem citar o termo violência na pergunta.

O estudo identificou que 1,87 milhão de vítimas declaradas não acionaram a polícia, o 190 ou o canal Ligue 180. Com a adição das mulheres que não nomearam a agressão, o grupo de brasileiras fora do registro de busca por proteção policial alcançou 26,84 milhões (93,6% das vítimas).

A gerente de Políticas Públicas pelo Fim da Violência contra as Mulheres do Instituto Natura, Beatriz Accioly, analisou o cenário retratado pelo levantamento. “Esses dados mostram que o problema é maior do que os registros oficiais conseguem registrar. Muitas mulheres vivem situações de violência sem nomeá-las dessa forma e isso significa que a necessidade real de proteção e atendimento é muito maior do que a que hoje chega às delegacias, aos serviços de saúde e à Justiça”, declarou a especialista.

Entre as mulheres vítimas de agressões praticadas por homens, 69% afirmaram que os episódios afetaram a rotina diária. O impacto no cotidiano registrou o maior índice no Tocantins, com 78%, e a menor taxa em Pernambuco, com 58%.

A vulnerabilidade econômica também integra o diagnóstico do estudo. No Brasil, 56% das vítimas vivem em famílias com renda de até dois salários mínimos, proporção que alcança 74% no Maranhão e em Sergipe e cai para 35% em Santa Catarina.

Em 62% dos casos no país, o agressor é o marido ou companheiro da vítima. A proporção de agressores com vínculo conjugal variou entre 73% no Acre e 48% no Distrito Federal.