SAÚDE


Brasil registra 1.576 casos suspeitos de doença neurodegenerativa fatal em 16 Anos

A doença de Creutzfeldt-Jakob teve maior concentração de notificações em São Paulo, Paraná e Minas Gerais

Foto: Reprodução/Freepik

O Ministério da Saúde registrou 1.576 notificações de casos suspeitos da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) no Brasil entre 2005 e 2021. A enfermidade é uma desordem cerebral rara, neurodegenerativa e fatal, sem terapia disponível para reverter sua evolução.

São Paulo liderou os registros no período com 512 notificações, seguido pelo Paraná, com 189, e Minas Gerais, com 158. A maioria das notificações ocorreu em pessoas com idade entre 55 e 74 anos.

A DCJ integra a Lista Nacional de Doenças de Notificação Compulsória desde 2005. Os órgãos de Vigilância Epidemiológica acompanham os dados para detectar a patologia, mapear o perfil epidemiológico e definir medidas de biossegurança.

A doença pertence ao grupo das encefalopatias espongiformes transmissíveis e possui velocidade de degeneração psicomotora superior à do Alzheimer. A causa é a ação do príon, partícula proteica anormal e resistente a métodos convencionais de desinfecção físico-química.

O acúmulo dessa proteína gera alterações que deixam o tecido cerebral com aspecto esponjoso. A condição não é transmissível por contato social diário nem por vias aéreas.

A forma hereditária da doença representa entre 5% e 15% dos casos, originada por mutações genéticas familiares. A versão iatrogênica responde por menos de 1%, decorrente de contaminação acidental em procedimentos invasivos e equipamentos cirúrgicos infectados.

Em casos muito raros, a contaminação ocorre pela ingestão de carne bovina infectada pela encefalopatia espongiforme bovina (conhecida como “doença da vaca louca”). Cerca de 90% dos pacientes progridem para o óbito em até um ano após as primeiras manifestações clínicas, com indicação médica restrita ao suporte paliativo multidisciplinar.