POLÍTICA


Netanyahu afirma que impedirá Irã nuclear, e houthis atacam refinaria na Arábia Saudita

Ação contra unidade da Aramco ocorre após pacto defensivo de Riad, enquanto Teerã condiciona liberação do Estreito de Hormuz a exigências aos EUA

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, declarou neste domingo (9) que impedirá o Irã de obter armas nucleares, independentemente do avanço de negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e países do Golfo. A declaração ocorreu em reunião de gabinete no mesmo dia em que rebeldes houthis atacaram com drones a refinaria de Jazan, da Saudi Aramco, na Arábia Saudita, e a cidade portuária de Mocha, no Iêmen.

A escalada militar no Oriente Médio intensificou-se após o encerramento de um cessar-fogo temporário na região. O conflito atual teve início em 28 de fevereiro, data do ataque que provocou a morte do antigo líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e feriu seu successor, Mojtaba Khamenei. Desde a data, grupos aliados a Teerã mantêm bloqueios navais no Mar Vermelho e ofensivas contra a infraestrutura de energia no Golfo.

O Ministério da Energia saudita confirmou um incêndio na unidade de Jazan, já controlado e sem registro de feridos. A instalação possui capacidade de processamento de 400 mil barris de petróleo bruto por dia, mas estava inativa desde o fim de julho. Em outra ação no Mar Vermelho, os houthis realizaram ataques com mísseis e drones contra a cidade de Mocha, sob controle do governo iemenita apoiado por Riad. Segundo um porta-voz militar local, o ataque deixou sete mortos. As ofensivas do grupo ocorreram dois dias após a Arábia Saudita assinar um pacto de defesa com a Turquia e o Paquistão.

No sábado (8), o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Bagher Zolghadr, apresentou os requisitos exigidos dos Estados Unidos para a liberação do tráfego no Estreito de Hormuz. A lista inclui a suspensão do bloqueio naval e das sanções econômicas, a retirada de forças militares americanas da região, a liberação de ativos iranianos congelados, o pagamento de reparações de guerra e o fim dos ataques aos aliados de Teerã.

Em relação à política interna iraniana, a mídia estatal informou a realização de uma reunião entre o presidente Masoud Pezeshkian e o líder supremo, Mojtaba Khamenei, no fim de julho, para tratar de pautas militares e econômicas. Mojtaba assumiu a liderança do país em março e não faz aparições públicas desde a transição do cargo.