ECONOMIA


Dólar registrou queda de 0,47% frente ao real

Bolsa desaba pela 2ª vez seguida; Ibovespa, o principal índice da B3, afundou 1,74%

O dólar registrou queda de 0,47% frente ao real, cotado a R$5,08, nesta sexta-feira (7). Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em baixa de 1,74%, aos 172,4 mil pontos. Na véspera, o indicador já havia anotado recuo expressivo de 1,23%.

Um dos fatos mais relevantes da agenda do dia foi a divulgação de novos dados sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. Na prática, os números oferecem uma indicação sobre o quão aquecida está a economia americana, termômetro que tem forte peso sobre a definição da taxa básica de juros do país.

A pesquisa conhecida como “payroll” (literalmente, “folha de pagamento”), veiculada pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, mostrou que, excluindo o setor agrícola, o mercado fechou 23 mil vagas de emprego em julho. O número ficou bem abaixo da expectativa do mercado, que previa não uma queda, mas a criação de 83 mil postos.

Os dados de maio e junho foram revisados para baixo. Maio passou da criação de 129 mil postos para 63 mil. Junho caiu de 57 mil para 20 mil. A revisão conjunta foi de 103 mil vagas a menos do que o divulgado inicialmente. A taxa de desemprego em julho foi de 4,1%, mas a estimativa era de 4,2%.

Federal Reserve

O “payroll”, contudo, não é o único ponto de atenção do mercado, associado à questão dos juros americanos. Reportagem publicada na quinta-feira (6) pelo jornal britânico Financial Times informou que o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, estaria disposto a elevar a taxa americana, se os dados indicarem uma inflação ainda resiliente nas próximas semanas.

Variações dos juros nos Estados Unidos mexem fortemente com os mercados globais. Se ocorrer uma alta, por exemplo, os títulos da dívida dos Estados Unidos, os Treasuries, tornam-se mais atrativos, o que reduz o interesse dos investidores por ativos de risco, como as ações negociadas em bolsa.

Guerra no Irã

Outra referência para o mercado continua sendo a guerra entre Estados Unidos e Irã. Embora o cenário seja especialmente instável, nesse front prevalecem as informações de que a tensão diminuiu e ainda há espaço para a negociação de um acordo entre os dois países.

O fato é que o preço do petróleo, depois de esboçar pequena queda, subiu nesta sessão. O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, aumentou 1,29%, a US$ 83,55. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, avançou 1,15%, a US$78,18.

Inflação no Brasil

No cenário interno, os investidores acompanharam a divulgação de mais um dado sobre a inflação. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), registrou deflação de 0,86% em julho. A expectativa do mercado, contudo, era de uma redução de até 0,93%.

Com o resultado, o índice acumula alta de 2,12% no ano e de 2,77% em 12 meses. Em julho de 2025, o IGP-DI havia caído 0,07% e acumulava alta de 2,91% em 12 meses.

O IGP-DI mede a variação de preços de toda a cadeia produtiva, desde matérias-primas até produtos finais. Ele é uma média ponderada de três indicadores: o IPA (com dados do atacado), com peso de 60% no resultado final; o IPC (consumidor), com 30%; e o INCC (construção civil), com 10%.