ECONOMIA


Crédito imobiliário cresce 23% no semestre, mesmo com juros altos

Crescimento veio principalmente das operações com recursos da poupança (SBPE), com avanço de 29% sobre primeiro semestre de 2025

Foto: Viva Real

 

O volume de concessões de crédito para compra e construção de imóveis encerrou o primeiro semestre de 2026 com um desempenho acima do esperado, movimentando R$180,9 bilhões.

O resultado representa uma alta de 23% em relação aos R$147,1 bilhões registrados no mesmo período de 2025, segundo dados divulgados pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) nesta terça-feira (28).

Ao todo, cerca de 850 mil imóveis foram financiados entre janeiro e junho, somando as operações com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e de carteiras livres.

Os números indicam que o primeiro semestre de 2026 foi significativamente mais forte do que o de 2025, contrariando previsões de desaceleração diante da Selic (taxa básica de juros) elevada e do encarecimento do crédito. A taxa está em 14,25% ao ano e passou parte do primeiro semestre na faixa de 15%.

Segundo o presidente da Abecip, Michel Cury, o desempenho leva a Abecip a revisar as estimativas para o ano. Em janeiro, a entidade projetava expansão de 16% nas concessões e volume aproximado de R$375 bilhões, mas afirma que uma nova previsão será divulgada nas próximas semanas.

O destaque veio das operações financiadas com recursos da poupança (SBPE), tradicionalmente utilizadas pela classe média. As concessões para aquisição e construção atingiram R$93,7 bilhões, avanço de 29% sobre o primeiro semestre de 2025.

As operações com recursos do FGTS (fundo de garantia) também mantiveram ritmo forte. O volume contratado atingiu R$77,6 bilhões, alta de 22%, impulsionado principalmente pelo Minha Casa, Minha Vida, em especial a faixa 3.