ECONOMIA


Mais da metade do salário-mínimo é destinada à compra da cesta básica, aponta pesquisa

Trabalhador compromete 52% da renda com alimentos essenciais; em Salvador, cesta custa R$ 707,28

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 

Um trabalhador que recebe um salário-mínimo compromete 52,02% da renda líquida apenas com a compra da cesta básica. É o que apontam dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Segundo o levantamento, o valor médio da cesta básica nas 27 capitais brasileiras chegou a R$ 779,95, um aumento de 8,69% em relação ao ano passado. Para adquirir os alimentos considerados essenciais, o trabalhador precisa dedicar 105 horas e 51 minutos de trabalho por mês, considerando uma jornada na escala 5×2.

O estudo também estima que o salário-mínimo necessário para garantir o sustento de uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 8.110,92, cerca de cinco vezes o piso nacional atual, de R$ 1.621.

O valor também supera o rendimento médio mensal do brasileiro, que, segundo a última pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de R$ 3.726. A diferença entre a renda média e o salário considerado necessário é de aproximadamente R$ 4,4 mil.

Em Salvador, a cesta básica custa R$ 707,28, após registrar alta de 16,43% em relação ao ano passado. Para comprar os itens essenciais, um trabalhador precisa dedicar 94 horas e 29 minutos de trabalho.

Entre as 27 capitais brasileiras, Salvador ocupa a 22ª posição no ranking das cestas básicas mais caras. São Paulo lidera a lista, com o conjunto de alimentos custando R$ 965,47, o que exige 131 horas e 2 minutos de trabalho. Na sequência aparecem Cuiabá (MT), Rio de Janeiro (RJ), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), todas com mais de 120 horas de trabalho necessárias para a aquisição da cesta básica.