ECONOMIA


‘Temos que tratar bet igual tratamos cigarro’, diz ministro da Fazenda

Dario Durigan afirmou que governo planeja ampliar regulamentação e tributação de casas de apostas, além de equilibrar contas públicas

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (24) que o governo brasileiro precisa continuar ampliando a regulamentação e a tributação das casas de apostas para desestimular o uso desses serviços pela população.

“Temos que tratar bet igual tratamos cigarro. Temos que ir tratando com controle. As empresas que operam têm que pagar outorga e informar ao governo todas as apostas, de forma que a gente consiga chegar ao Ministério da Saúde e falar que temos apostadores contumazes no país, afirmou Durigan durante evento da XP Investimentos.

Apostadores contumazes são pessoas que fazem apostas de forma frequente e contínua, e não apenas de forma ocasional. “Estamos aumentando o tributo [sobre as bets] porque é justo, é devido e é um desincentivo a um mecanismo que atrapalha a vida das pessoas”, completou.

O ministro também reiterou a importância de limitar o acesso às casas de apostas pela população que já se encontra em situação de fragilidade financeira. “Quem recebe benefício social, hoje, não pode apostar em bet. Quem recebe Bolsa Família, BPC, não pode apostar em bet. Quem se diz endividado e vai no Desenrola pra ter desconto e parcelar sua dívida, também não pode apostar em bet”, defendeu Durigan.

Ao falar sobre o alto nível de endividamento das famílias, Durigan também defendeu que o governo crie mecanismos para desestimular a contratação de crédito, de acordo com a situação financeira de cada consumidor. “Se a gente já sabe que determinado consumidor tem cinco plásticos [cartões de crédito] e está com dívidas atrasadas, como podemos aprovar mais um cartão?”, questionou.

Segundo Durigan, grande parte das pessoas endividadas tomou crédito durante a pandemia e não conseguiu administrar essas dívidas. “E quando a gente analisa esses dados, o cartão de crédito é o principal elemento que impacta a vida das pessoas”, afirmou, reiterando que o governo tem incentivado, por meio do Desenrola, a substituição de dívidas com juros mais altos por outras com taxas menores.

Durigan também afirmou que o governo segue comprometido com o equilíbrio das contas públicas e destacou a projeção do Tesouro de que a dívida pública deve se estabilizar entre 2029 e 2030.

“A projeção é que tenhamos 0,5% de superávit [receitas maiores do que despesas] no ano que vem. Eu gostaria de fazer mais, talvez com o aumento nos preços do petróleo e eventualmente diminuindo as subvenções que temos feito”, relatou.