POLÍTICA


Justiça italiana anulou extradição de Zambelli por questões de saúde, diz documento

Decisão concluiu que Brasil não detalhou como seria garantido atendimento médico da ex-deputada na prisão e mandou refazer análise do pedido de extradição

Foto: Lula Marques/ EBC

 

A decisão da Justiça da Itália que, no início do mês, anulou a autorização para extraditar Carla Zambelli (PL-SP) no processo relacionado ao caso perseguição armada apontou como principal motivo a falta de informações sobre a assistência médica que a ex-deputada receberia caso fosse presa no Brasil.

No documento, os juízes rejeitam os argumentos da defesa de que Zambelli seria alvo de perseguição política. No entanto, concluem que o pedido de extradição apresentado pelo Brasil não poderia ser aceito, pois as informações sobre as condições em que a ex-deputada cumpriria a pena, especialmente em relação ao atendimento médico, eram insuficientes.

No início deste mês, a Itália anulou a decisão que havia autorizado a extradição da ex-deputada no processo relacionado à condenação pelo caso de perseguição armada, e determinou que o pedido apresentado pelo governo brasileiro seja submetido a um novo julgamento.

Segundo informações obtidas pela TV Globo, o argumento acatado pelo tribunal foi apenas relacionado a questões de saúde. Alegações dos advogados ligadas a perseguição política, dupla incriminação e condições carcerárias em território brasileiro foram rejeitadas.

Com isso, o novo julgamento a ser realizado na Itália terá que avaliar se há dados mais precisos do Brasil sobre as condições em que Zambelli cumprirá a pena, caso seja entregue às autoridades brasileiras.

Ou seja, o governo vai ter que explicar se fará monitoramento contínuo das condições de saúde e se vai garantir os cuidados médicos que o quadro de Zambelli requer, como atendimento por médicos especialistas e disponibilidade de medicamentos necessários.

Na decisão, os juízes italianos apontaram que a indicação do STF de informar periodicamente à Itália sobre o estado de saúde de Zambelli não seria suficiente, porque não demonstra que o tratamento efetivamente poderá ser prestado.

Segundo interlocutores do governo, o Brasil pretende informar à Justiça Italiana que dará todas as condições para tratamento de saúde de Zambelli para viabilizar a extradição. Nesse sentido, avaliam internamente que ainda há chances de a extradição ocorrer.

O caso agora será reavaliado pela Corte de Apelação de Roma. Na prática, o caso retorna à etapa inicial dessa instância, que fará um novo julgamento sobre o pedido apresentado pelo Brasil. Isso só deve ocorrer após o governo brasileiro encaminhar informações complementares para a Itália. Ainda não há data para a nova análise.

No procedimento de extradição, cabe à Corte italiana apenas verificar se o pedido cumpre os requisitos previstos na legislação e nos tratados internacionais para que a entrega da acusada seja autorizada.